Em foco: Oldcat (Taciano Levi).

1- Taciano, nos fale um pouco de você, de suas preferências e gostos e se possível inclua uma foto para que possamos conhecê-lo melhor.

Nascido em 2 de julho de 1977 Taciano Levi Costa lima, canceriano convicto, apaixonado e comprometido, morei toda minha vida em Salvador mas sempre andando por aí… formado técnico em química, hoje atuo profissionalmente como Dentista, sempre pensei em ser músico mas descobri que fotografando seria mais prazeroso contar minhas idéias.

2- Como e quando um músico-químico que é dentista se interessa pela fotografia?

O químico veio primeiro, talvez por influência de meu padrinho e das possibilidades que se abririam para mim, pois iniciaria um curso técnico e a partir dele já poderia começar a trabalhar e foi o que aconteceu, aos 18 anos trabalhava no pólo petroquímico de Camaçari, durante a formação em química surgiu a necessidade da expressão artística que nesse momento viria a partir da música, comecei tocando flauta, depois o violão, guitarra, saxofone e mais recentemente tenho enveredado na percussão (cajon), a música nunca saiu completamente do meu caminho, porém, mais recentemente, (posso dizer recentemente porque acredito que ainda estou a descobrir a fotografia), um primo me apresentou a fotografia digital, confesso que nunca fui simpático aquela maquinaria e aparatagem da fotografia analógica, talvez por sentir uma dependência muito grande de terceiros(revelação, ampliação, edição…) para a finalização do processo criativo, assim fui apresentado ao mundo da fotografia digital e me encantei com a forma de poder recortar fragmentos de como eu enxergo o mundo e poder mostrá-los como eu queira. È sou dentista, e trabalho com ortodontia, assim convivo por muito tempo com as mesmas pessoas (pacientes) e na medida do possível aprendo muito com elas e sobre elas incorporando aos poucos na minha forma de ver as coisas que acontecem a minha volta.

3- Me parece que você tem uma afinidade latente com as artes como a música, através de diversos instrumentos, e mais recentemente a fotografia.
3.1- Como este seu lado, digamos, artístico, se manifesta em seu dia a dia como dentista e como seus pacientes encaram isto (se é que existe esta interação)?

Verdade, a música foi minha porta de entrada no mundo das expressões artísticas e partindo dela tudo tem o seu ritmo, procuro conduzir “minha fotografia” com o meu ritmo de acordo com o que sinto e da necessidade de fazer ou expressar.
Não sei se existe diretamente essa interação artística com o dentista, até porque ninguém gostaria de deixar seus dentes fora do ideal de beleza imposto, é uma profissão muito técnica e com pouca limitação de expressão, penso eu. Quanto a minha interação com meus clientes, é no mínimo inusitada; afinal, quantas vezes foi a um dentista de cabelos compridos, tatuado e que quer saber de sua vida? Isso muitas vezes facilita minha aproximação com os mais jovens.

3.2- Já houve casos em que seu lado ‘fotógrafo’ encontrou com o lado ‘modelo’ de seus clientes?Se sim poste algumas fotos deste suposto encontro.

Quanto ao encontro do lado fotógrafo e o lado modelo dos clientes, ainda não se encontraram, não digo que não é uma possibilidade até porque ainda tenho muitos caminhos a experimentar, mas hoje, digo que esse tipo de foto não atrai meus olhares, mesmo assim já experimentei fotografar uma modelo para sentir o resultado.

4- Mas não necessariamente a realização de fotos de seus clientes tem de ser feito no esquema de ‘modelagem’.
Muitas vezes uma simples circunstância pode render um sem números de imagens.
No próprio consultório, por exemplo.

4.1- Já pensou em retratar seus pacientes?

De certo, diversas cenas ocorrem a todo o momento dentro de um consultório odontológico, e valorizo muito estas cenas comuns que podem gerar imagens muito interessantes, existem diversos aspectos legais que envolvem o atendimento e que levariam talvez a uma burocracia inconveniente, mas não está totalmente descartada a possibilidade.

4.2- Ou, pensando pelo outro lado, já foi compelido por eles para que os fotografasse?

Nunca fui solicitado como fotógrafo pelos pacientes, mas acredito que se fosse de certo não iriam querer fotos no consultório, mas sim como disse, no esquema modelagem. O que vejo no consultório normalmente não são pessoas relaxadas e descontraídas, mesmo com uma relação agradável e simpática comigo, o ato odontológico é invasivo e por vezes desconfortável, esse aspecto sim eu gostaria de retratar já que gosto muito dos momentos casuais e inesperados, de expressões espontâneas, momentos em que as pessoas interagem com o meio, mas como disse, a exposição desses aspectos pessoais dentro de um consultório podem implicar em uma burocracia que não sei se me interessa.

” … valorizo muito estas cenas comuns que podem gerar imagens muito interessantes … “ – Taciano Levi.

5-Que tipo de fotografia, ou que gênero, lhe interessa mais Taciano?

Gosto muito de retratos, fotografias que contam histórias, que traz alguma coisa de mim nela, um pedaço meu no cotidiano dos outros, gosto muito de sair e procurar algo que me chame atenção pela rua, ou melhor, fragmentos em meio às pessoas e para isso as festas populares são um prato cheio para fotografar pessoas em situações interessantes que de alguma forma demonstram seu relacionamento com tudo o que está acontecendo. Gosto de mostrar o pedaço do mundo que eu estou vendo e como estou vendo, e por vezes, como eu queria que ele fosse, já que em determinados momentos são registrados de forma que pareça o que nem sempre é.

5.1- E neste interesse quem são as referências que você pode citar?
Inclua algumas fotos para exemplificar.

Gosto muito de muita coisa entre os clássicos, mas deixo o destaque para a discrição e o perfeito tempo de Bresson além da força e emoção de Sebastião Salgado.

Outra referencia a minha estética visual são as composições de luz e sombra de Caravaggio, mestre em mostrar e esconder o que importa. Gosto muito das sombras apesar da fotografia ser a arte da luz, sem as sombras não haveria tanto sentimento nas imagens.

6- Onde, na sua fotografia, você identifica a presença destes fotógrafos que cita como inspiração?

No ato fotográfico é muito importante para mim a percepção do momento certo para fotografar e quando possível não interagir com a cena preservando a naturalidade do momento, fotos que causem algum tipo de impacto, seja ele bom ou não, também me interessam. Então sem querer nem de perto parecer com nenhum nem outro, tento obter o time e descrição de Bresson e o impacto que Salgado impõe. Há um tempo uma amiga me relatou que havia parado de fotografar porque não sabia o que queria mostrar com suas fotos, realmente isso mexeu comigo desde então penso muito sobre cada fotografia feita e de como olhar para os momentos que surgem a frente da lente.

6.1- Que imagens suas você descreveria como sendo parte deste processo de aperfeiçoamento baseado nestas referências, e por quê?

7- Olhando seu Flickr me deparei com um conceito muito interessante na apresentação de suas imagens …

Você adiciona textos que as correlaciona, sempre com citações que vão desde textos judaicos a frases de famosos como Bob Marley ou Che Guevara, entre outros.

Destaco, segundo meu gosto pessoal, as seguintes:

http://www.flickr.com/photos/onaicat/4614226588/in/photostream

Realidade

Brilha?       Sim... Brilha Sim!!

Epifania

"Muxoxinho"

Molinho

7.1- Como se dá a criação deste dueto?
Você parte dos textos para fazer a foto ou faz a foto e busca uma referência textual para elas?

Bem, como se dá o dueto…, cada foto me transmite um sentimento, um pensamento ou uma reflexão qualquer, a partir daí busco algo que me passe a mesma idéia, ultimamente tenho encontrado em letras de músicas que melhor ainda porque posso escutar e reforçar ainda mais o que quis registrar, algumas vezes bem verdade o texto é quem gera a fotografia, fico com alguma coisa principalmente uma música na cabeça e busco algo que possa ser trabalhado, quando não é assim encontrar um escrito que exprima o que eu quero as vezes dá um trabalhinho extra, mas é prazeroso quando encontro e fecho a mensagem.

7.2- Das suas fotos, quais as que lhe deram mais prazer em serem feitas e por quê?

Dificil fazer essas escolhas, mas algumas fotos me marcaram, sabe aquela foto que você pensa como quer e ela acontece na sua frente? Pois essa é uma delas, numa tarde especial, com uma pessoa especial meninos pulando do cais no rio … perfeito!

Tenho uma predileção estampada por fotos de crianças, talvez porque elas são muito mais espontâneas e criam situações inusitadas dentro de um contexto que as vezes só a elas interessa. Nesta foto esse menino veio a mim , ele somente estava curioso e meio escabreado para saber porque eu estava fotografando na frente da casa dele e ele não entendia o que tanto eu fotografava. Imediatamente virei e ele estava coçando o olho, meio envergonhado.

Gosto dessa foto também, absolutamente casual e despretensiosa, nada mais do que uma barreira para o vento para um cigarrinho ao lado do elevador Lacerda, mas que conta sua história, gosto muito disso de localizar e esperar a cena acontecer para mim. Feita durante uma intervenção plástica pelas ruas de Salvador onde pessoas se deslocavam em grupos usando estes guarda-chuvas, ora se agrupando ora se separando provocando os olhares por onde passavam.

8- Alguma vez já presenteou os retratados com as imagens feitas?
Se sim, qual a reação e o que isto representou à você?

Já sim, e foi delicioso o momento de entregar a foto ao fotografado. A última vez entreguei umas fotos feitas em um distrito, à 230km de Salvador chamado Maragogipinho, onde funcionam diversas olarias, com artesãos da cerâmica, e onde de tempos em tempos, vamos lá fotografá-los nas suas atividades diárias.
Lá eles já estão acostumados com o ir e vir de fotógrafos, então é um ambiente bem interessante, cheio de vida e atitude.

9- Que tipo de técnica e equipamentos você usa pra conseguir suas imagens?

Há algum tempo, aqui mesmo no fórum, descobri os benefícios da técnica do UniWB tutoriado pelo Peri. Desde então venho utilizado com muita freqüência e me adaptado algumas vezes, tentando sempre extrair o máximo do equipamento que tenho. Comecei a fotografar há muito pouco tempo, e tenho me virado para estudar e aperfeiçoar tanto a arte de cada foto quanto a técnica.

9.1- Você acha que o equipamento dito ‘profissional’ é fundamental para se conseguir imagens carregadas de sentimento como as que você faz?

Quanto ao equipamento, vamos lá: já entendi que equipamento faz diferença em muita coisa, mas equipamento nenhum coloca sentimento em foto. Garanto que um fotógrafo de natureza, com uma 50mm, irá sofrer para trabalhar, da mesma forma que ninguém vai fazer um casamento com uma 600mm. Hoje utilizo o mesmo equipamento com o qual comecei a fotografar: uma T1i com lentes 50mm, 18-55mm e 55-250mm. Percebo em alguns momentos as limitações do meu equipamento, como em situações de pouca luz. Contudo o aperfeiçoamento da técnica tem me ajudado muito, principalmente com relação a isto, já que utilizo ISOs altos com resultados satisfatórios ao meu objetivo. Almejo um equipamento melhor… mas não agora, deixa a necessidade falar um pouco mais alto, para eu adquirir um equipamento que irá facilitar a forma de expressar o que eu quero. . Então não, não acho fundamental o equipamento profissional para expressar sentimentos numa boa fotografia, mas conhecer os limites do equipamento que está usando.

A título de exemplificação seguem algumas fotos feitas com ISO 12800.

10- Taciano, vendo as imagens que você disponibilizou aqui na entrevista e vendo sua página no Flickr e no meu caso que acompanho teu trabalho aqui no DigiForum já há algum tempo, é inegável a sua evolução em tão pouco tempo de fotografia.

Além disto eu percebo que a sua fotografia é calçada em valores humanos como verdade e respeito, aliada a uma técnica fotográfica bem justa no que tange à composição, com uma apresentação bem caprichosa.

10.1- A que você atribui esta sua evolução?A um “dom” ou a um trabalho de pesquisa evolutiva?

Com certeza essa evolução a que se refere veio com muita pesquisa, estudo e uma tentativa de tentar compreender como posso expressar o que penso numa fotografia, não gosto muito dessa coisa de “dom”, apenas tenho certa facilidade em estudar sozinho, buscar caminhos e teorias. Nunca fiz nenhum curso de fotografia porque percebo que estes cursos estão muito relacionados aos conhecimentos técnicos, e como tenho facilidade em estudar sozinho, vou me virando. Corro atrás para tentar aprender a parte técnica da coisa e talvez isso fique bem marcado no desenvolver de minhas fotos, como você mesmo falou. No início a preocupação era essencialmente realizar uma fotografia tecnicamente aceitável, e com o passar do tempo, a utilização desse conhecimento para criar algum significado com as fotos.

Como amante da música, não consigo gostar de uma música mal composta, onde pequenos detalhes fazem muita diferença numa melodia, assim, tento fazer o mesmo com as fotos, sem rebuscar demais, nem deixar aquém das possibilidades que encontro, mas sempre tentando seguir o ritmo. Quanto a apresentação caprichosa, muito obrigado, acredito que faça muita diferença como as coisas se apresentam diante de quem observa, então tento deixá-las o mais agradável possível.

Venho descobrindo minha fotografia com a ajuda de muitos fotógrafos com que mantenho contato aqui na cidade. Hoje faço parte de um foto clube (Salvador Foto Clube) que promove alguns eventos e encontros com interesses fotográficos, um desses eventos é chamado de “O olhar de…” convidando alguns fotógrafos para um bate papo sobre fotografia. Acredito muito nessa troca de experiência, e através dela apuro aos poucos o que fotografo.

Grande parte dessa descoberta agradeço também ao Fórum. Lembro quando ainda existia as salas de foto-crítica e podia vivenciar as experiências dos outros, comentários e observações sobres as fotos postadas, e aos poucos fui tentando entender a minha forma de fotografar.

10.2- Em que momento você entende que o Taciano saiu da condição de um simples “apertador de botão” para um fotógrafo consciente e comprometido com sua arte?Consegue distinguir em seu acervo (ou de terceiros se for o caso) a(s) imagem(ns) que lhe deu este ‘estalo’?

Essa foto foi feita durante uma saída fotográfica em uma manifestação popular, o “Bembé do mercado” realizada na cidade de Santo Amaro da purificação, em comemoração à abolição da escravatura. Nesse momento registrado, oferendas são deixadas no mar. Distante um pouco do foco das baianas e oferendas, esse senhor agradecia solitário. Acredito que essa foto foi uma das que me direcionou ao processo, até o “estalo”.

11-Que tipo de influência uma cidade plural como Salvador, seja em manifestações artísticas como a música (que você sempre cita como fonte inspiradora) ou em manifestações religiosas como o Candomblé por exemplo, exerce em um fotógrafo?

11.1- Neste sentido, qual o seu envolvimento pessoal com a cidade (como cidadão Soteropolitano ou como uma pessoa que possui o ‘olhar observador’ de um fotógrafo, por exemplo) e como isto se reflete em seu modo de fotografar ou no seu olhar fotográfico?

Salvador, de fato, provoca muito o fotógrafo e a todo o momento podem ser vistas cenas interessantes, tanto no aspecto do cotidiano da cidade, quanto em suas manifestações artísticas.
Por vezes tenho me deixado influenciar pelos aspectos sociais da cidade, e que às vezes, surgem inusitadamente, quebrando o contexto da situação cotidiana que estava acontecendo ao meu redor. É como se eu buscasse mais do que está explícito ao senso comum. São fragmentos do que está à minha volta.

11.2- Que inspirações a cidade lhe trás e como você demonstraria isto em imagens?

Musicalmente, gosto de muita coisa e a diversidade é verdadeiramente enorme. Posso citar algumas coisas que ultimamente têm me atraído:

Baiana System(http://youtu.be/p-kk1RyL554),
Diamba(http://youtu.be/5lkOtFaUg7w),
O Círculo(http://youtu.be/ZsHaQt2zan0)
Retrofoguetes(http://youtu.be/dtBW0XwdvIE)

Estes citados acima estão entre os menos famosos no mercado musical nacional. Fora eles tem João Gilberto, Gilberto Gil, Carlinhos Brown e outras figurinhas carimbadas.

Em relação às manifestações religiosas, principalmente as relacionadas ao Candomblé, venho a cada dia que passa me relacionando mais com seus elementos e procurando na medida do possível tentar me aprofundar nos conhecimentos sobre essa religião. Venho de uma família Católica e bastante religiosa, mas a cada dia fico mais impressionado por diversos aspectos do Candomblé, tanto os visuais, que são muito exuberantes e fascina qualquer fotógrafo, quanto os seus conceitos de orientação religiosa. Verdade que ainda existe, mesmo em Salvador, muito preconceito envolvido com essa religião, mas tento mostrar às pessoas que além da liberdade de expressão e da opção de cada uma acreditar no que melhor lhe convier, o Candomblé não é direcionado para o mal ou qualquer coisa do tipo, como muitos pensam. Existem pessoas más em qualquer lugar e em qualquer religião. Recomendo assistir ao Filme “Jardim das Folhas Sagradas”(http://www.jardimdasfolhassagradas.com/), que mostra muito isso que estou dizendo.

Em relação às manifestações religiosas, principalmente as relacionadas ao Candomblé, venho a cada dia que passa me relacionando mais com seus elementos e procurando na medida do possível tentar me aprofundar nos conhecimentos sobre essa religião. – Taciano Levi.

12- Como se dá este aprofundamento e de que forma isto interfere na vida do cidadão católico Taciano?

Venho de uma família Católica, com uma religiosidade bem marcante, mas com o passar dos anos fui me distanciando das “obrigações” Católicas tal como frequentar missas. Nesse processo de distanciamento, certamente fui influenciado pelo comportamento geral dos religiosos, com o qual não concordava. Hoje não sei se me diria atrelado a uma religião específica, por isso me sinto a vontade em querer saber mais a respeito do Candomblé, que além da plástica visual oferece alguns aspectos muito interessantes em relação à interação do homem com a natureza e das inter relações humanas.

12.1- Como separar o aspecto emocional atribuído ao ser humano do aspecto “frio” que um fotógrafo deve ter para capturar suas imagens?

É muito complicado separar o emocional do ato fotográfico, mas, às vezes, controlar parte dessas emoções se faz necessário, ou não conseguirá realizar determinadas fotos que, pelo assunto registrado, podem vir a incomodar ou mesmo agredir quem as vislumbra. Há pouco tempo atrás não conseguia fotografar determinadas cenas do cotidiano de uma grande cidade, como por exemplo, pessoas em situações precárias, mendigos e etc. O sentimento envolvido nessas imagens me fazia pensar na ética envolvida e no porque de fotografar esses temas, ou mesmo em um sentimento de impotência diante do quadro. Porém, hoje posso dizer que faço, e nem por isso perdi os sentimentos e nem deixei de me importar. Entendo que a minha intenção não é depreciar, mas mostrar que no mundo que enxergo há também estes fragmentos, e não só o belo ou o gracioso. Expor isso de uma forma adequada pode gerar algo positivo, senão em atitudes, em reflexões.

12.2- Ou você acha que a questão acima pode ser dissociada, podendo o fotógrafo envolver-se emocionalmente com seus assuntos sem que isto interfira no resultado final?

Outro ponto marcante nessa relação fotografia/sentimento seria o momento emocional do fotógrafo interferindo no resultado. Não consigo imaginar essa dissociação porque pessoalmente, observo em minhas fotos os traços de sentimentos que estava vivendo no momento da fotografia, ou da edição, e que interferem no resultado. Verdade que nem sempre a idéia inicial da foto estava tão estreitamente atrelada ao sentimento experimentado, mas o resultado final pós edição é certamente afetado.

13- Ainda relacionando-me ao Candomblé, gostaria que você como estudioso e como cidadão Soteropolitano desvendasse alguns mitos que pairam sobre a religião, tão fortemente criticada por determinadas esferas da sociedade brasileira.

Hoje em Salvador existe uma campanha ainda pouco disseminada contra esse preconceito existente contra o Candomblé. A falta de informação e a problemática intolerância religiosa vêm, a cada dia que passa, ameaçando a continuidade dessa religião que veio trazida pelos escravos e que já existia há muito tempo. Ela preza pela harmonia do homem com o homem e do homem com a natureza. A imagem estereotipada de que o Candomblé é algo maligno ou de adoração de demônios é algo leviano e completamente irresponsável. Digo irresponsável porque não afirmo alguma coisa se não sei a respeito dela, desta forma, para emitir tal parecer o “irresponsável” deveria se aprofundar um mínimo possível para poder fazer essas afirmações. A ignorância (segundo o dicionário: falta de conhecimento, estado de quem ignora incompetência, imperícia) destes atos não ajudam em nada ao bem estar comum. Como já havia dito, não me sinto atrelado a religião alguma, mas o que já presenciei e compartilhei a respeito do Candomblé me impressiona bastante e me sinto a vontade para dizer que é uma forma linda de manifestação religiosa, uma crença onde as entidades (no caso os orixás) estão intimamente ligadas a elementos da natureza e possuem características bem humanas em suas personalidades.

14- De que maneira a edição contribui para o resultado final de suas imagens?

Confesso que a edição para mim é um momento muito prazeroso, de investigar as fotos que fiz e aos poucos polir a mensagem que tentei captar em cada uma. No início tinha alguma dificuldade em relação aos parâmetros para tratamento das fotos, que foram se consolidando à medida que descobria o que eu queria da fotografia.
O mundo da fotografia surgiu para mim já digital, e aos poucos fui descobrindo as ferramentas necessárias para trabalhar com elas. De cara fui atirado ao Phostoshop e suas milhares de possibilidades, e talvez esse excesso de possibilidades tornara mais complicado estabelecer parâmetros para os tratamentos, mas enfim, devagar fui me adequando e hoje quase sempre tenho em mente que tipo de tratamento fazer assim que faço a foto. Gosto quase sempre de destacar o que me faz compreender a imagem, seja com variações de sombras, contrastes, ou variações em P&B.
De longe, o que mais me agrada e que tento ajustar com maior cuidado são as variações de sombras e brilhos. Hoje utilizo somente o Lightroom para tratamento das fotos.

14.1-Que tipo de edição você acha favorável na fotografia que faz?
Mais agressivas, menos agressivas, montagens, colagens … vale tudo ou existe um limite?

Normalmente não faço alterações tão drásticas, a menos que esse tipo de tratamento enfatize o que eu queria mostrar. Não condeno e nem atesto certos tipos de montagens e modificações, contudo, meu limite fica em remover pequenos detalhes, CUT-OUT e os ajustes de nitidez, contraste, saturação….
Vale tudo e ao mesmo tempo, existem limites. Enquanto arte, a fotografia tem o limite de quem a produz, assim, o limite para as alterações depende tão, e somente, do objetivo de quem as faz, a menos que a fotografia esteja sendo utilizada como forma de registrar a realidade como documentos, revistas e jornais.

14.2- O que você pensa sobre movimentos como o Instagram, que parece ter virado uma febre?

Estive no Paraty em Foco em 2011, e o tema principal do evento foi justamente relacionado com essa nova tecnologia, mas tenho alguns poréns em relação a isso. No Salvador Foto Clube existe alguns adeptos do Instagran e algumas fotos realmente me impressionam com a eficiência do resultado. Mas me preocupa muito a particularidade da necessidade de enfatizar a supremacia de um equipamento em relação a outro, pois acredito que uma ferramenta só é melhor que outra a depender de quem a utiliza, assim os IPhones, Androids, Canons, Nikons, Leikas e companhia são ferramentas nas mãos de quem as utiliza. Qual fotógrafo nunca escutou alguém, após ver uma foto sua, comentar; “poxa, sua câmera é muito boa…” como se a câmera pudesse realizar a fotografia sozinha, é o mesmo que pensar que ao adquirir uma guitarra de Jimi Hendrix a pessoa iria tocar maravilhosamente bem. Lógico que há diferenças entre os equipamentos, mas daí a classificar qual é o melhor ou pior acho um pouco precipitado e simplista. Melhor em que? Melhor para quem? Acredito que cada um deverá se adequar de acordo com suas preferências, aplicações e necessidades.

Segue o link de um membro do clube que aprecio muito as fotos feitas com o IPhone:

http://statigr.am/tag/varope

Da mesma forma experimentei também o mundo da Lomografia, e achei muito interessante a proposta oferecida principalmente pela descontração e liberdade que ela proporciona, contudo a minha antipatia, inexperiência e a limitação que sinto com a utilização da aparelhagem analógica diminuem demais as minhas possibilidades de vir a me desenvolver neste estilo de fotografia.

15- Poxa, que barato este link, fotos inspiradoras e gostosas de ver.
Engraçado é que a gente convive num fórum de fotografia e vê muito pouco deste tipo de coisa … experimentos, explorações de linguagens, estudos da fotografia como forma de expressão, etc.

O que você destacaria de positivo e negativo num ambiente como um fórum?

Verdade, eu acho que muitos aspectos relacionados com o conteúdo artístico das fotos são negligenciados por grande parte dos fotógrafos iniciantes, e esses aspectos talvez pudessem ser mais estimulados nesse ambiente de fórum, que é a porta de entrada para muitos iniciantes. Pessoalmente, comecei a me dar conta da importância de cada pessoa expressar seu próprio estilo de fotografar e desenvolver uma identificação com seus registros a tal ponto que possa ser percebido pelos outros. Essa minha percepção só foi possível lendo e participando do forum, além de muito observar fotos de terceiros e, aos poucos, conseguir perceber pontos de identificação que conectam o autor a suas fotos. Por outro lado percebo em muitos a necessidade da exacerbação dos parâmetros técnicos das fotos como a principal e, às vezes, única referência para qualificar uma fotografia, deixando o aspecto artístico e a expressão cada vez mais longe do ato fotográfico, direcionando os menos experientes para este caminho.

15.1- Agora falando especificamente daqui, o que você tem visto de interessante (sejam autores, novas formas de expressão, etc) que valha a pena destacar?

Aproveitando, devo salientar que sinto muita falta das salas de foto-críticas que existiam no DF, que tanto me fizeram enxergar além do meu olhar e pensar fotográfico, me estimulando a entender a necessidade do aprimoramento da técnica para expressar o que desejo nas imagens. Alguns membros do forum me motivaram muito a me aperfeiçoar tecnicamente, e a desenvolver minha identidade fotográfica, como os citados abaixo:

Gabriel Franceschi.
http://www.flickr.com/photos/gfranceschi/

Edgard Thomas.
http://www.flickr.com/photos/edgard_thomas/

peridapituba.
http://www.flickr.com/photos/peridapituba/

Virgilio Libardi.
http://www.flickr.com/photos/virgilio_libardi/

16- O interessante do conceito das FC’s era a polarização das opiniões e das motivações dos diversos autores que por lá se apresentavam.

Isto não apenas difundia diversos conceitos e linguagens … a sala também determinava de certa forma uma direção a quem não tinha ainda se encontrado no mundo da fotografia.

E, depois da sua citação dos autores acima, vamos inverter um pouco as coisas e tornar a história mais interessante …

16.1- Eu gostaria que você tomasse agora as rédeas da situação e fizesse, a cada um destes que citou, uma ou duas perguntas de seu interesse e que serão publicadas nesta entrevista.

Fique à vontade … eles serão contatados, mas seu nome não vai figurar como responsável pela pergunta para que as respostas não sejam “viciadas”.

16.1.1- Ao Virgílio:

” Virgilio, vi na sua entrevista que você tem uma preocupação muito enfática no que diz respeito aos egos dos envolvidos em um trabalho fotográfico. Já aconteceu algum caso de divergências que pudessem comprometer o bom andamento de um trabalho? Como lida com isso? E mais especificamente, gostaria de saber se já ocorreu algum tipo de indisposição com os modelos a respeito da proposta ou da forma como dirigiu o andamento do trabalho? “ – Taciano Levi.

Aconteceu sim, ainda bem que poucas vezes, mas é bem comum casos assim em que alguns profissionais se exaltam por uma razão ou por outra.
Acontece muitas vezes de um profissional querer que o trabalho dele seja mais evidenciado que o dos demais, esquecendo que tudo depende de todos.
Sempre me preocupo em fazer com que o ambiente de trabalho seja tranquilo e que o clima de paz reine, quando temos isso já definido previamente, escutando as opiniões de todos e em comum acordo dando um direcionamento ao trabalho, temos uma chance maior das coisas caminharem bem.
O mais grave que já aconteceu comigo foi o travamento total da modelo devido a forma com o qual ela foi tratada por um profissional. Este foi um trabalho que tivemos que repetir em um outro dia. A modelo foi mantida, a equipe não permaneceu a mesma.

Grande abraço,

Virgílio

16.1.2- Ao Peri:

“Peri, não posso deixar de querer saber o que te motiva a fotografar, principalmente o que atrai a sua atenção para realizar determinados tipos de fotos, como por exemplo a foto abaixo:”

“Também gostaria de saber que tipo de emoções deseja provocar no espectadores, se é que realmente fotografa pensando em provocar alguma reação nos outros. E ainda, se não deseja provocar, diga o porque disso não ser importante.” – Taciano Levi.

Bem, Taciano, eu acredito fielmente que a fotografia deve cumprir um papel crucial como forma de expressão, como registro de nossas vidas, do que nos cerca e das passagens que temos como seres humanos dotados de emoções e sentimentos.
No meu caso eu tenho a fotografia como espelho do que eu vivo, do que eu presencio e do que me cerca.
Seja em cenas familiares, em cenas do meu dia a dia ou em oportunidades em que estou em determinados lugares e algo que eu julgo relevante possa acontecer.

Por si só tudo isto já me serve de motivação para registrar as cenas.
Lógico, sendo uma pessoa que gosta de fotografar e já tendo estudado há algum tempo, existe a preocupação de fazer estes registros com a máxima competência que eu puder fazer.

Então, uma cena familiar pode se transformar para além do sentimento embutido nela (emocional, passional, não-racional, etc) em algo prazeroso para quem vê e com quem compartilhamos estas imagens.
Não creio haver motivação mais profunda que isto.

A gente faz pra gente, mas compartilha e deseja que quem esteja vendo tenha também parte do sentimento que nos move, parte daquela sensação gostosa que a imagem demonstra.
As cenas abaixo podem demonstrar um pouco disto.

Por outro lado podemos estar em determinados locais e cenas acontecerem ao nosso redor, ali na nossa frente.
Se estivermos ligados, com o olhar atento e afiado, a probabilidade de conseguimos captar estas cenas aumenta demais.
E isto também é muito importante e deve ser levado em conta.
O fotógrafo é, ou deve ser, um ser atento ao mundo e às possibilidades que o cerca.

Mas eu não acho que deva-se fotografar exclusivamente pensando em provocar sensações em que vê nossas imagens.

Primeiro porque na verdade a gente nem sabe que tipo de pessoas as verão, e os sentimentos/induções destes podem muito bem ser diferente do nosso como autores.
E segundo porque, antes de tudo, o compromisso que temos com a fotografia é algo que nos pertence e que não deve, assim penso, ser feita ‘para fora’, mas ‘para dentro’, sabe?

Se a gente faz algo pensando em outrém, ficamos refém destes e, não havendo a contrapartida (e isto é algo absolutamente normal) a coisa pode esvaziar e a motivação acabar.
A gente deve ter sempre em mente que a fotografia nos pertence até o momento da publicação, a após ele até de forma velada, mas depois de mostrada a obra nosso compromisso de certa forma acaba e é o Observador quem deve escolher o que sente e como sente o que está vendo.

Se conseguirmos provocar sentimentos é um presente, uma espécie de bônus.
Entretanto isto não deve ser baliza ou muleta para nossas motivações pessoais para fotografar.

16.1.3- Ao Ed:

Ed, acho incríveis as fotos de pássaros na natureza, e gostaria muito de saber em relação ao lado comercial desse tipo de fotografia. Você atua profissionalmente nessa área específica? Se sim, como é o mercado brasileiro em relação a esse segmento da fotografia e mais especificamente, qual sua relação/opnião a respeito dos bancos de imagens na comercialização desse tipo de foto? – Taciano Levi.

De fato, a fotografia da natureza, especificamente aquela dedicada ao registro das aves, é fascinante e desafiadora. É uma tarefa muito difícil, pois os bichinhos são muito ariscos e um tanto mais agitados, mas é muito prazerosa, quando se tem o resultado ao menos satisfatório.

Tenho me dedicado quase que exclusivamente a esse tipo de fotografia nos últimos três anos. Recebo convites para publicações de fotos minhas em sites especializados e também em livros. Mas nunca tive qualquer retorno financeiro relativamente ao meu trabalho.
Conheço poucos fotógrafos que conseguem bons resultados comerciais com a fotografia da natureza. Existem os consagrados e mundialmente conhecidos e alguns outros que publicam suas fotos em guias de identificação de espécies, sejam eles convencionais ou em mídia eletrônica.
Outros conseguem retorno como guias, mas aí o conhecimento é muito maior na área de ornitologia/biologia.
Quanto aos bancos de imagens, posso lhe dizer que sou cadastrado em alguns deles, recebo pedidos de imagens, mas, até hoje, nunca um pedido teve relação com a fotografia de aves.
Concluindo, acho que o lado comercial da fotografia da natureza no Brasil é, ainda, embrionário e se resume às publicações especializadas e aquelas patrocinadas, além do material produzido pelos monstros consagrados da área.

Abração!

16.1.4- Ao Gabriel:

Gabriel, a qualidade dos seus hdrs sempre me impressionou muito, e vejo tanto primor nos seus tratamentos que fico imaginando: será que ele se empolga mais ao tratar e preparar seus hdrs ou no próprio ato fotográfico? Por isso gostaria de saber o que normalmente te impulsiona a gerar um hdr e o que te motivou a adentrar nessa técnica? Como seleciona as cenas que você imagina serem as ideais para fazer uso dessa técnica? É estilo ou pura conveniência? – Taciano Levi.

Primeiramente, gostaria de agradecer, ao meu grande amigo, e mestre, Peridapituba, pelo convite. Em segundo lugar, quero reiterar que não conheço o autor da pergunta, sendo assim, parto de um lugar comum, munido dos preceitos básicos.

Quando comecei a fotografar, não sabia priorizar o meu equipamento, e sendo assim, comprei de um amigo fotógrafo (www.guillermobaltasar.com), uma camera muito honesta, a Nikon D100. Naquela época, só consegui comprar uma lente: a 18-55mm f/3.5-5.6 GII. Uma lente de kit muito razoável, porém, junto a uma camera sem muitos recursos tecnológicos, altamente limitante para explorar o universo fotográfico, nas suas diversas áreas.

Mas vejam só, nunca me diverti tanto no começo. Cada vez que aprendia uma coisa, como sabia pouco, dobrava minha habilidade em pouco tempo. E assim, cada assunto que eu lia, eu vibrava em fotos, que acabam num ritmo sazonal. As foto-críticas e o meu flickr acompanharam essas mudanças … macros, naturezas, urbanismo, película 35mm, etc … Nunca um estilo só. Se refletia luz, eu ia atrás.

Mas no meio disso, eu conheci através de um outro amigo, exímio fotografo de interiores (www.franparente.com.br), a técnica do HDR, com propósito muito simples, e um tanto quanto óbvio: aumentar a variação dinâmica da foto.

Isso abriu meus olhos em meio a uma limitação de fotometria muito marcante na minha camera, um modelo de 2002 descontinuada em 2005, sendo utilizada em pleno 2009/2010. Assim sendo, fui ler a respeito, e a primeira foto que fiz um HDR, foi do sítio do meu avô, em Camanducaia-MG, utilizando o photoshop para tal. Um desastre por completo.

NOTA: O conceito que eu buscava antes de saber o que era um HDR, era o de tirar duas fotos, com fotometrias distintas, e fazer uma “montagem” com a melhor parte de cada.

Bem, uma imagem vale mais do que mil palavras não?

Essa imagem, me agradava, no entanto, eu queria ressaltar as flores, mas a fotometria estava bem dificil (somados as dificuldades da camera e do fotógrafo). Então, utilizando o bracketing, variei 2ev para cima e para baixo, para conseguir as seguintes imagens, respectivamente.

Assim, ficou mais fácil, perceber a limitação da variação dinâmica. Tentei meu primeiro HDR nessa imagem, que após a primeira edição com o software photomatix pro, resultou nessa imagem:

E após uma edição no Aperture (com correção do horizonte, etc…)

Bem … você não imagina a minha felicidade, em ter “descoberto” uma maneira de driblar essa adversidade. Assim, comecei cada vez mais “brincar” com o HDR. As maneiras de edição de uma mesma foto, são literalmente infinitas. Por exemplo, a foto do sítio ? Vejam como ela ficaria, editada hoje, com os mesmos arquivos, com os mesmos programas, mas com o meu “gosto” atual:

Daí pra frente, a sensação de descobrimento, e de aumento de possibilidades, se tornou infinita novamente. Passei a sentir na edição de fotos HDR, a mesma sensação boa de antes. E assim, o HDR passou a ser parte do meu “fotografar”. O bidimensionalismo da imagem, havia sido transformado, em uma coisa literalmente mais profunda.

Guardo o HDR para algumas situações chaves: Paisagens:

Objetos com muito metal/cromo/reflexo:

Cenas com muita variação luminosa:

Retratos posados:

E logicamente para interiores (quanto mais detalhe, melhor, portanto, aqui começou a minha paixão por interior de igrejas …).

Para viagens, o HDR é excelente, no sentido de sair da mesmice. Considero um “estilo” meu, uma vez que durante a edição do HDR, as possibilidades são, sem brincadeira, ou figura de linguagem: infinitas.
Imagine por exemplo, você levando a sua querida camera em um casamento de um amigo. Você subitamente nota, que existem mais pessoas com DSLRs presentes, que vão entregar fotos primorosas para o noivo e a noiva. Bem, eu fiquei chateado quando fui no casamento do mesmo fotógrafo que havia me vendido a camera, e vi a maior concentração de cameras prime (1D MK III, D3s, etc…) fotografando o casamento dele … Na hora me bateu um chateamento. Mas, foi muito legal, quando me viram indo ao meio do corredor, batendo três fotos com a camera apoiada em cima da tampinha, sem entenderem nada … e eis, que ele ganhou essa foto de presente:

Assim, o HDR é uma ótima ferramenta para poder sobressaltar alguns assuntos, e ainda, se diferenciar da mesmice digital que vemos por aí. No entanto, considero o HDR a maior afirmação de digitalização da fotografia. Uma técnica totalmente dependente da pré e pós produção, e ainda, por nostalgia futura, me considero um dos pioneiros (dentre milhares).

PS: Só por curiosidade, esse é o meu HDR mais “interessante” no meu flickr:

ela está na página de paisagens, tiradas com uma Nikon D100
Fiquei bem feliz. – risos.

Um grande abraço,

Gabriel.

17- Taciano, foi interessante ler suas perguntas a cada uma destas pessoas.
Nelas você discorre sobre pontos importantes,como os listados abaixo e que eu gostaria que você desse uma pincelada a mais:

1-Relações profissionais e humanas entre fotógrafos e modelos em sets de trabalho e as possíveis conseqüências quando estes não estão bem sincronizados; quando questiona o Virgílio.

Quanto à direção de modelos, tenho pouquíssima experiência, além de nesse momento não ser o que eu tenha em mente para fotografar. Mas me colocando em uma situação de ensaio fotográfico, imagino que a primeira coisa a ser feita é estabelecer uma relação entre fotógrafo e fotografado. Se o fotografado não é o próprio cliente (cujas os motivos já são explícitos), acho que devem estar claras as razões daquele ensaio acontecer, no sentido do modelo compreender quem é o cliente/solicitante e quais as suas necessidades. É necessário que o fotógrafo construa uma relação momentânea com o modelo, estabelecendo confiança, onde haja entendimento e respeito mútuos. Há pouco tempo, um amigo fotógrafo realizou um ensaio de nudez, apenas pra constar no seu portifólio. Depois das fotos feitas e postadas na internet, no seu site particular (claro que as modelos sabiam que as fotos seriam veiculadas), uma das modelos voltou atrás e pediu que sua foto fosse retirada, alegando que ela não gostou do resultado do trabalho e como elas tinham sido usadas. Neste exemplo percebemos como o entendimento/comunicação entre as partes é algo fundamental, até mesmo para que haja uma sintonia entre o fotógrafo, o cliente e o modelo.Essa é uma questão relevante porque numa situação mais grave, um desentendimento pode eventualmente ser levado aos meios legais. Voltando pra minha realidade, em algumas ocasiões de festas populares ocorrem situações em que uma breve direção da pessoa fotografada se faz necessária para obtenção da imagem desejada, e às vezes esse traquejo com o modelo é muito útil.

2- Motivações, intenções e emoções que uma fotografia pode, e se deve ou não, conter; quando me questiona.

Como eu disse antes, acredito que a idéia que motiva e o tipo de sentimento gerado com cada fotografia seriam para mim a razão maior para registrar um determinado momento, e mais importante, como registrar esse momento, transmitindo através da imagem algum tipo de sentimento ou idéia vinda do fotógrafo. Sem isso, para mim a fotografia não faz sentido e não seria um instrumento de expressão. Seria um mero registro. Pra mim, a fotografia vai muito além disso, e usaria até uma licença clichê pra dizer que você muitas vezes expressa em imagens o que você não consegue expressar só em palavras.

3- A preocupação com o lado comercial da fotografia, sobretudo em áreas onde a gente sabe que talvez o fruto de nossos esforços não sejam recompensados como deveriam ser; quando questiona o Ed.

Tenho muitas dúvidas quanto à utilização de fotografias advindas de banco de imagens, e tenho observado que essa área específica, a fotografia de natureza, é bastante direcionada a esse mercado. Se as regras de utilização de imagem e remuneração do fotografo forem claras, acho que esse é um instrumento interessante para se fazer dinheiro com algo que antes era apenas hobby. Obviamente que é necessário grande volume de comercialização para se fazer dinheiro, mas a possibilidade está lá. Se você não teria um uso mais útil pra essa imagem, por que não disponibilizá-la nesses bancos? É um formato interessante porque padroniza a forma de comercialização das imagens. Facilita muito tanto pro fotógrafo como para quem está procurando determinada imagem, e o mercado de hoje clama por praticidade, em todos os sentidos. Há pouco fui convidado à enviar minhas fotos para um banco de imagens, e assim o fiz. Vamos ver o que acontece. No mínimo vou entender mais como esse negócio procede. Concluindo: não fotografo profissionalmente mas a possibilidade de ser remunerado por fazer algo que faço por prazer é bastante tentador.

4- Preocupação com a técnica e como isto se desenrola a favor da imagem, a fotografia então servindo de suporte a esta técnica; quando questiona o Gabriel.

Venho percebendo que o estudo e o aperfeiçoamento tanto das técnicas fotográficas quanto do tratamento realizado nas imagens, geram efeitos mais satisfatórios ao que se deseja expor. Assim, alguns princípios e aprimoramentos nas técnicas de pós-edição tem atraído bastante minha atenção.
Acredito que entender qual a minha motivação para realizar uma fotografia,e ter bases técnicas para realizá-la de forma que consiga transmitir o que pensei, fazem parte do desenvolvimento ao qual estou tentando me direcionar. Quem sabe um dia possa utilizar essas ferramentas de uma forma remunerada.

17.1- Como você mesmo pensa e incorpora cada um destes itens listados em sua própria forma de fotografar?

17.2- Qual relevância disto em sua fotografia e qual o peso que você atribuiria a cada um deles?

17.3- Como equacionar estas questões?

Não sei se saberia equacionar essas questões, mas sempre acredito no equilíbrio entre as partes para um bom desenvolvimento de qualquer coisa, mesmo os erros, são muito importantes e necessários para um aprendizado, então todos os fatores são importantes, sejam eles técnicos, intelectuais, ou de equipamentos e nenhum deverá ser desmerecido, da mesma forma nenhum deverá ser absoluto.

“ Não fazemos uma foto apenas com uma câmera;
ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos,
os filmes que vimos, a música que ouvimos,
as pessoas que amamos.”
– Ansel Adams

18- Taciano, creio que falamos sobre pontos muito importantes nesta entrevista.
Pontos que reverberam sobre o verdadeiro sentido da fotografia, como sentimentos verdadeiros, respeito, camaradagem, permuta, entrega …

Acho de verdade que foi uma conversa, para mim, muito reveladora.
Porque me mostrou sua face mais humana, seus anseios, suas motivações, suas conquistas, sua evolução como pessoa antes do fotógrafo-Taciano, seu trilhar.

De minha parte acho que fechamos um capítulo importante na sala … saiba que, para mim, você é um dos grandes aqui dentro do fórum e parte desta conclusão veio através de bate papo tão prazeroso.

Você gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
Algo que não foi conversado e você ache que seja necessário falar?

Fique à vontade, a palavra é sua.
No mais, meu muito obrigado pela atenção, pela cordialidade, e pela paciência em responder as perguntas.

Um grande abraço de um novo admirador.

Peri,
Esse bate papo me proporcionou uma experiência muito interessante: olhar pra dentro de mim e reafirmar pra mim mesmo como eu realmente vejo a fotografia. Tenho muitos amigos fotógrafos e estou constantemente conversando sobre o assunto, porém, isso é diferente de dialogar comigo mesmo a respeito. Se foi enriquecedor pra você e para o Digiforum, pra mim foi muito mais. É muito bom estarmos sempre nos questionando sobre o que nos move, pra que essa motivação verdadeira e inicial nunca se perca, e essa entrevista me mostrou que a motivação fotográfica mais importante continua em mim, e agora, de uma forma mais madura.

Acho importantíssima a iniciativa do fórum no sentido de mesclar entrevistas de fotógrafos famosos ou de peso no mercado, com entrevistas de fotógrafos iniciantes como eu, pois as duas visões são mostradas, além de ser incentivador pois os fotógrafos menos experientes (a maioria) podem se identificar e/ou se espelhar nas experiências dos entrevistados.

Queria agradecer especialmente a você porque muito antes dessa entrevista eu já acompanhava seu trabalho, e aprendi muito com as técnicas que você apresentava. Acho que o fórum é muito importante como instrumento disseminador de conhecimentos técnicos, e para os verdadeiramente interessados, é um ajuda e tanto para que consigam se aprofundar nas técnicas e com isso, expressar mais facilmente as idéias imagéticas que possuem. Espero que eu tenha conseguido expressar na entrevista o quanto esse conhecimento técnico é importante, o quanto é necessário entender o funcionamento do equipamento que se está usando, pois pra fazer um trabalho diferenciado, você precisa ter domínio sobre seu objeto.

Estarei aguardando a publicação, e mais uma vez, obrigado pela oportunidade!

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3 comentários sobre “Em foco: Oldcat (Taciano Levi).

  1. Peri;
    Tinha lido essa esta entrevista no Multiply. Adorei conhecer o trabalho do Taciano, ótimo e extremamente palpável -e a ele aproveito para dar parabéns. Como já lhe disse, suas entrevistas estão cada vez melhores, você tem se tornado melhor entrevistador e provavelmente aprende nas entrevistas e com as reflexões que elas provocam mais do que o leitor.
    Muito bom.
    Quando ao blog, acho que vem atender a uma necessidade de reunir e dar corpo a esse seu trabalho incrível de fazer falar os colegas fotógrafos.
    Acho que precisa de um botão de RSS no seu blog para nós podermos configurar para segui-lo.
    Grande abraço,
    Ivan

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