A quem interessa?

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Já de algum tempo estou sempre acompanhando produções fotográficas de pessoas próximas, além de comentários sobre fotos que eventualmente postamos em espaços públicos, seja a amigos de rede ou seja em listas sobre discussão acerca de fotografias.

Uma pergunta é recorrente:
A quem interessa estas imagens?
Ou, indo mais longe,
Que tipo de imagem interessa?

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Parece que o ambiente que frequentamos ditam “regras” ou normas sobre o tipo e a espécie de fotografia que fazemos.
Quando nos encaixamos num certo fluxo de espectativa destes meios, nossa produção é mais aceita e o valor dado à ela é maior.
Mas quando saímos um pouco da linha, a surpresa que provocamos ou a falta de conhecimento de outrem relega-nos a quase um ET a exibir loucuras em forma de imagens.
Acompanhando a produção de amigos como o Ivan aprendi a dar valor a imagens que muitas vezes me são estranhas.
Sua série de fotos intitulada “Casulos de vidas em suspensão”, foi uma série que me abriu caminhos, apesar de anteriormente e de forma bem incipiente eu já ter flertado com o tema abstração.
Aprendi a entender que nem sempre fotografias devem conter todos os elementos totalmente legíveis para serem atraentes.
Um outro amigo, o Eduardo Buscariolli também transita no meio e igualmente me abre certas portas, apesar de seu estilo ser de mais difícil digestão para mim.
E eu tenho investido algum tempo e pensamentos em captar imagens que se correlacionam com o tema.
Diretrizes que no momento da captura me soam interessantes a ponto de pensar em produzir, mas que nem sempre são imagens que despertarão interesse alheio, o que na verdade pouco me importa (sem desdenhar opiniões obviamente).

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É interessante como estas imagens provocam tensão e incompreensão em muitos.
E naqueles que de alguma forma já transitaram pelo tema, a feitura deste tipo de produção causa antes de tudo indução.
Indução a ter um sentido mais aguçado e tentar entender que uma porta se abriu, pois não é fácil ter obras deste tipo povoando nossos trabalhos com constância.
Falo em um nível totalmente amador/entusiasta, mas comprometido com a produção fotográfica em si, seja como forma de nos expressarmos ou simplesmente como forma de abstrair.
É um caminho interessante e mais interessante ainda são as opiniões que se seguem quando dado o primeiro passo.

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6 comentários sobre “A quem interessa?

  1. Caríssimo Perí;

    Em primeiro lugar, muitíssimo obrigado pela citação. Devo assinalar algo sobre a série Casulo de Vidas em Suspensão. Embora ele seja constituído de fotografias nas quais o efeito do panning lento e com comprimentos focais longos seja muito perceptível, sempre busquei algo que considero do cerne da fotografia: mostrar uma cena humana definida. Não considero a série abstrata, nem a proponho assim, e mesmo tento evitar, pela seleção, as fotografias nas quais isso seja muito dominante e eclipse a cena humana. O efeito do arrasto tem várias serventias determinadas, todas no sentido de transformar aquela pessoa particular em uma pessoa genérica, pouco dependente da identificação de sua personalidade. Então o arrasto faz parte da narrativa porque transforma uma pessoa num símbolo de pessoa.

    Gostei especialmente da segunda foto deste artigo, a qual apresenta uma ambiguidade muito interessante.

    Grande abraço,
    Ivan

    • Valeu pela vinda, Ivan.
      Na verdade talvez eu até tenha me expressado mal, o intuito nem é levantar a questão de séries abstratas e imagens que carregam esta expectativa.
      Mas levantar o ponto de como estas imagens, ditas estranhas ao primeiro momento, geram tanta repercussão.
      Sejam negativas, sejam de incompreensão ou até mesmo de surpreendimento.
      A sua série, para mim, foi uma espécie de divisora de águas.
      Se puder poste o link para ela, seria uma boa exemplificação.

      Um grande abraço.
      Peri.

  2. Acho que o titulo do artigo já resume tudo, Peri. A quem interessa? Estranho pra quem?
    Essa sua segunda foto aí é magnifica. Aliás, acho que nunca vi alguém retratando tão bem o carnaval quanto voce o fez este ano. Ano que vem vai ter novamente, né? Diz que sim 🙂

    • – risos.
      Bem, Spider, espero que sim, ou terão outras festas populares, porque a experiência é fantástica.
      Você é um destes inspiradores autores que a gente encontra nesta jornada.

      Um abração.
      Peri.

  3. Amigo Peri

    “Um fotógrafo não faz uma fotografia apenas com sua câmera, mas com os livros que leu, os filmes que assistiu, as viagens que fez, as músicas que ouviu, as pessoas que amou.” (Ansel Adams)

    Fotografia é uma ferramenta de expressão. Assim, não importa a quem a fotografia interessa, ela deve sobretudo ser direcionada você mesmo. Falo como quem vê muitas fotografias diariamente, quando se é honesto consigo mesmo e com o impulso que nos leva a procurar e extrair algo em uma cena, transmutá-la em nome da satisfação desse impulso que surge não se sabe de onde, a necessidade da compreensão alheia torna-se irrelevante.

    Ao som de Brian Eno, afirmo: as pessoas, eu ou você somos muito mais complexos que uma eventual similaredade com o real ou qualquer lógica. Então, não esquenta, faça-o, mas faço-o sendo honesto consigo mesmo.

    Um abraço

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