Quem precisa de lentes?

Uma grande parte das pessoas que se envolve com a fotografia, após algum tempo, fica preocupada em montar um set de lentes diversificado, que lhes permita fotografar o mais variado tipo de assuntos possível.

Parece existir no mundo digital um senso comum que dá valor a pessoas que possuem sets numerosos, composto de inúmeras lentes, de diversos tipos de modelos e distâncias focais, como se quantidade fosse sinônimo de qualidade.

Mas será que, de fato, é necessário tanta lente para se fazer fotografias das quais gostamos ou que possam traduzir os momentos que vivenciamos?

Esta diversidade em equipamentos é mesmo necessária?

O que é mais importante, ter inúmeras lentes e fazer algo frio e distante ou poucas lentes e se virar com elas, se envolvendo mais intimamente com os assuntos que fotografamos e ter, desta forma, resultados que nos emocionem mais?

Nos últimos meses tenho usado apenas 1 lente, uma 35mm.

Minha câmera possui um fator de crop de 1,5 vezes, o que confere a esta 35mm uma visada de 52,5mm … quase uma lente clássica quando considerado o formato de quadro inteiro.

Tenho feito com ela imagens que considero agradáveis, bem próximo dos assuntos e interagindo o suficiente para que estas imagens tenham um caráter mais íntimo, algo que eu gosto.

Confesso que não tenho sentido a menor falta de outras lentes … tampouco tenho me importado com isto.

Me adequo aos assuntos me movendo de forma a ter o posicionamento que quero, com calma, explorando de forma sutil os enquadramentos e as composições que penso para cada uma das imagens que faço.

Eu me adequo aos assuntos e não os assuntos se adequam a mim.

Desta forma as imagens tornam-se mais naturais, pois consigo uma proximidade e intimidade melhor com a cena.

Fico aflito, isto quando não entendo, na medida que  leio opiniões e conversas onde fica-se procurando “completar” sets de lentes com distâncias focais as mais variadas possíveis, desde uma GA até uma Supertele.

Na última Semana Santa estive na cidade de Ubatuba, litoral Norte de São Paulo.

Foi uma viagem sem nenhuma pretensão ou compromisso de fotografar, mas como a gente gosta, sempre encontra um tempo para algumas imagens.

Novamente fotografei apenas com a 35mm.

Nenhuma novidade, apenas a constatação de que muita lente rende pouca foto, e que com apenas uma lente eu me diverti muito mais.

***

Obrigado por ver.

Clique nas imagens para ampliar.

Captura das imagens: FLEKTOGON auto 2.4/35 MC CZJ DDR.

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15 comentários sobre “Quem precisa de lentes?

  1. “O que é mais importante, ter inúmeras lentes e fazer algo frio e distante ou poucas lentes e se virar com elas, se envolvendo mais intimamente com os assuntos que fotografamos e ter, desta forma, resultados que nos emocionem mais?”

    Esta sentença passa a idéia errônea de que uma coisa exclui a outra.

    Como a maioria das coisas na vida não há uma única resposta certa, tudo depende da situação, é muito fácil dizer “Eu me adequo aos assuntos e não os assuntos se adequam a mim.” quando se fotografa por hobby e sem compromisso, um profissional da fotografia não pode se dar a esse luxo.

    Dar um passinho pra lá ou pra cá? faça isso ao fotografar um casamento em uma igreja lotada por exemplo, ou vá com uma tele fazer foto de arquitetura interior dando “passinhos”. (só não tente fazer isso à beira de um abismo).

    Então, se você é amador e fotografa por diversão e não há nenhum problema em perder diversas fotos por falta de espaço físico para os “passinhos” tudo bem, faça tudo com sua lente normal, mas se você precisa fazer as fotos e principalmente, se está sendo pago para isso, trate de possuir um bom kit de lentes que atinja uma grande gama de distâncias focais, não é uma questão de opção, é uma necessidade, isso sem entrar em detalhes como fundo desfocado que é praticamente impossível de se conseguir com lentes grande angular ou de pouca abertura.

    Existe sim uma sensação falsa de que “mais é melhor”, mas existe também esse tipo de simplificação totalmente equivocada de que quem tem muito equipamento é soberbo ou tenta compensar suas deficiencias com quantidade.

    Quem afirma que é desnecessário ter um kit abrangente de lentes certamente nunca foi um fotógrafo profissional ou era restrito a algum tipo de especialidade dentro da fotografia.

    Sei que dificilmente você deixará esse comentário ser publicado, não me importa, apenas reflita sobre estas considerações.

    • Olá, Roger.
      Antes de tudo lhe agradeço a visita e o comentário.
      Indo por partes, devo-lhe dizer que o artigo é escrito em 1ª pessoa e portanto diz respeito apenas e somente a minhas experiências.
      As pessoas que acompanham o Blog sabem de antemão deste pequeno detalhe.
      Aos que não acompanham, provavelmente, por curiosidade, lerão o link “Sobre o Frame e o autor”, onde especifico que sou um entusiasta e autodidata, com interesses não profissionais na fotografia.
      Isto, por si só, talvez responda parte de suas perguntas.
      Não tenho por hábito censurar comentários quando estes são feitos de forma educada e não me atingem, ou não atingem pessoas que participam apenas com intuito de conversas e não com interesse em conflitos ou algo desta natureza … o que, de antemão, penso ser o seu caso.
      Eu afirmo o que afirmei em relação, unicamente, ao que me diz respeito e ao que me é confortável e às minhas necessidades.
      Agora, conclusões como a que você tomou são apenas suas e eu tenho de respeitá-las sem contestação.
      As diretrizes e opções de fotógrafos profissionais, ‘pagos’ e que possuem um kit de lentes por ‘opção’ profissional não podem ser descartadas, claro, mas não cabem no proposto aqui.
      Novamente lhe digo, o Blog é escrito em 1ª pessoa e relata minhas experiências e minhas vivências, além de conclusões que eu tiro disto e compartilho aqui.

      Um abraço, e seja bem vindo.
      Peri.

  2. Há tempos ando concordando com isso peri. Pouca lente, pouca máquina, pouco preocupar-se com essas coisas e muita foto.

    Basicamente tenho andado com a Zenit + Helios e uma compacta, que nunca usei o zoom. A diversão é garantida.

    Grande abraço nego véi!

  3. Sabe que esses dias estive muito tentado a comprar uma tele pra tentar me aventurar a fotografar pássaros. Nós temos vários amigos em comum que dedicam-se a este tipo de fotografia e acho que seria divertido. No fim das contas acabei desistindo por achar que o uso não compensaria o custo. Eu até achei uma com preço muito bom, mas procurava algo com uma qualidade um pouco maior, e pagar caro por uma lente que teria pouquíssimo uso está fora de questão.
    Eu compreendo o ponto de vista do roger, e também o seu. Eu me viro bem com a minha lente do kit, um tempo atrás o Edgard Thomas me mandou uma Minolta 35-70 que ele pouco usava e que tem ficado quase que exclusivamente na câmera, a gente vai se adaptando com o que está disponível. Eu já estive muitas vezes tentado por lentes que custam alguns milhares de reais, se fosse rico ou vivesse de fotografia as teria comprado, ainda que pouco as usasse.
    Já pensou, eu, amador entusiasta de fotografia com uma Carl Zeis 24-70 2.8 que custa R$ 6.000,00 no mercado livre tirando foto de família uma vez ou outra e com medo de andar com ela no Ver-O-Peso (Se eu tivesse uma lente de 6.000,00 e o ladrão quisesse me tomar, a gente ia sair no tapa rsrsrs). Um cenário diferente seria eu, hipoteticamente fotógrafo social e (ou) de estúdio, bem remunerado pelo meu trabalho, com seguro dos meus equipamentos e situações em que estas lentes justifiquem o investimento quer seja pela praticidade que determinadas atividades exigem ou até mesmo por uma questão de Marketing (acho que seria mais fácil “arrancar dinheiro” de um cliente incauto exibindo toneladas de equipamento, acho risos) na hora de vender o serviço.
    Minha lente fixa é a Helios e sua distância focal é realmente muito restritiva, mas a gente se vira com o que tem quando não se é profissional ou um entusiasta endinheirado.

    • Você toca num ponto importante sobre o uso que se dá e o que na verdade nos importa.
      Eu, se tivesse grana sobrando talvez até comprasse uma lente cara e um corpo também caro.
      Mas pararia aí, suponhamos, 1 corpo e 2 ou 3 lentes, pronto.
      Mesmo se grana não fosse o problema.
      Mas tem gente que tem grana e esbanja, não usando o que tem.
      Quantas vezes eu já vi o cara com um corpo enorme, uma tele imensa – lembre-se que teles chamam muita atenção – e em um grupo de pessoas fotografando não faziam foto alguma.
      E aí?
      Então, existe sim as 2 faces da moeda, mas também existem os exageros, e eles não são poucos.

      Um grande abraço, Ernani.

  4. Olá, meu caro Peri!
    Na verdade tudo se resume ao famigerado “orçamento” que, combinado às necessidades profissionais ou à simples paixão por esta atividade, ditará a variedade e sofisticação do equipamento.
    Um grande abraço!

  5. hehehee… como concordo com vários tópicos deste artigo e discordo de vários outros preferi, ao invés de relatar tais pontos de consenso e discenso, apenas adicionar um trecho de opinão sobre o assunto: MUITA FOTO TAMBÉM NÃO QUER DIZER GRANDES FOTOS! Conheço muitos companheiros de profissão e lazer que voltam pra casa com um cartão de 32 gigas lotado de fotos, a maioria clicadas em parcas horas numa manhã ou tarde – ou durante alguma pauta ou cobertura fotográfica. E, destas váááááárias fotos, talvez mais de 3/4 delas sejam “variações do mesmo tema, sem sair do tom”. Daí pergunto? Há necessidade de tal?

    Voltando à primeira pessoa, eu saio muito para fotografar – semanalmente em pelo menos um dia estou clicando, ou por trabalho ou por hobby (este último geralmente nos sábados). E, passo o dia nesta atividade e, não raro volto pra casa com 80, 90 fotos de pois de 10h-12h fotografando quando hobby, ou umas 200-300 quando é dia de trampo. E, destas, aproveito uns 2/3 ou mais. Antes, quando ainda estava no processo de iniciação à fotografia, gerava 10x mais arquivos que hoje. O maior cartão de possuo é um 16 gigas Class 10 e, pasme: até hoje nunca enchi-o em mais que 1/4 da sua capacidade depois de dias sem descarregar a câmera.

    Assim, concluindo, fotografar muito não quer dizer fotografar bem, assim como o contrário não necessariamente indica fotos ruins.

    • De fato, Alberto, não existe uma lógica, mas certos caminhos podem sim serem rastreados.
      Os mais envolvidos desenvolvem um traquejo e uma metodologia que os permite conseguir boas fotos em poucas tomadas quando exploram, por exemplo, um único tema.
      Logicamente que o foto-jornalismo, ou a fotografia como profissão (editorial, cobertura de pautas jornalísticas, etc) não se aplicam ao caso.

      Abraços.
      Peri.

  6. Isto é doido… Li ali em cima uma frase… “se você faz fotografia como diversão…”. Ora, não é isso. No passado se fazia as fotografias com uma, duas ou três lentes fixas, duas seria mais coerente dizer. Agora a lente precisa fazer tudo. Só que o tudo não vale nada. É rara hoje em dia uma boa foto. O tudo que vale nada é necessário? Bem, isso fica ao critério de cada um. Porque tudo é nada, então caso a pessoa queria fazer o tudo-nada, talvez precise de lentes que façam tudo.

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