Em foco: Celso Pimentel.

1- Celso, nos fale um pouco sobre você, seus gostos, suas preferências, etc.
Inclua uma foto para que possamos conhecê-lo melhor.

Vamos lá, Peri!

Meu nome é Celso Cotovia Pimentel com dois filhos já formados e trabalhando.
Sou aposentado do Banespa e atualmente moro na cidade de Santos sp com minha esposa Graça Maria.
Gosto de fotografia, música e xadrez. Ultimamente minha preferência são as viagens com os registros que faço … hoje estou chegando de uma viagem de 7 dias em Nova Yorque com muitas fotos.
Teve uma época que eu participava de um grupo musical chamado “ArtVocal”, tocava violão.
A fotografia me despertou em 1979 com uma Pentax (mecânica) modelo MX, e no ano de 2004 passei para a fotografia digital, hoje quando quero usar um filme me divirto com uma canon Elan7NE e uma 50 1.4, em virtude do auto-foco facilitar e ajudar a visão.

Quanto à foto, não entendi se é uma foto minha ou uma foto que eu tirei …

2- Sim, uma foto sua, de vossa pessoa. – risos
Nós ainda vamos mostrar muitas das fotos que você tirou …

Então, está aê … risos
(tirei o ano passado em Portugal para a “orelha” de um livro de genealogia que editei)

3- Genealogia???
Conte esta história …

É um livro sobre a genealogia dos “Pimentéis”, a história do meu avô que veio de Portugal e os 5 filhos que teve aqui no Brasil … meu pai é um dos filhos.

Consegui levantar na pesquisa 350 anos da história da família, indo até 1664.

O livro tem 110 páginas, todo ilustrado com fotos e assentos dos livros de batismo, casamentos e óbitos e está registrado com o ISBN.

Fiquei 17 dias em Portugal, onde visitei o local que meu avô nasceu, está sepultado e colhi o material dos descendentes dele.

Brasão da Família Pimentel, Portugal.

Avós Paternos.

Pais.

1ª comunhão.

No link abaixo podem ser vistas imagens da família Pimentel, objeto de pesquisa do entrevistado (copie e cole no seu browse): https://www.facebook.com/media/set/?set=a.148369761900597.32076.100001827238748&type=3

4- Rapaz … que bacana …
Que tipo de surpresa você teve quando entrou nestes estudos?

Essa pergunta gostaria de respondeu falando, é meio difícil para mim colocar a sensação em palavras.
Na história dos Pimentéis havia muita “lenda” contada pelo pelo meu avô português, as surpresas começaram a aparecer na medida que fui avançando na pesquisa e constatei serem verdadeiros. No livro eu descrevo tudo, mas aqui vai ficar muito longo, Peri.

Não tem problema, Celso, tudo certo …

5- Como a fotografia entrou na sua vida e que papel ela desempenha hoje em dia?

Como falei antes desde 1979 já possuia uma Pentax MX (Mecânica com uma lente 50 1.4) mas só tirara fotos dos filhos quando eram pequenos.

Ela entrou mesmo em 2004 quando passei para a fotografia digital adquirindo uma Canon 10D e fazendo um curso aqui no Clube Foto amigos de Santos.

Fui me envolvendo ficando membro do CFAS até chegar a Diretor de Curso, ganhando vários prêmios nas Bienais promovidas pela Confederação Brasileira de Fotografia e aqui em Santos.

Todo ano ia à Paraty no Festival Internacional de Fotografia (Paraty em Foco) fazia workshops, me relacionava com fotógrafos e também foi participando dos Foruns, no Brfoto tem 08 anos que frequento com assiduidade.

6- Fotografando já há tanto tempo, como foi a transição do digital para o filme?
O que você destacaria como pontos positivos e negativos dos 2 formatos?

A transição do digital para o filme exigiu muita compreensão e estudo dos programas de tratamento de imagem, especificamente o photoshop, quando percebi através de outros colegas da época, que o formato RAW era o melhor caminho.
Depois da conscientização que a fotografia digital veio para ficar, aos poucos fui deixando de usar o filme pela praticidade da mídia digital.
Mas até hoje ainda não vi na imagem digital a mesma magia do filme.

7- Você comentou sobre prêmios em Bienais …
Quais foram?
Poderia enumerá-los, mostrando as fotos responsáveis por eles?

Vou colocar/mostrar algumas fotos premiadas e aceitas nas bienais:

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7- Celso, de que forma a sua participação em Clubes como o CFAS (Clube Foto amigos de Santos) e fóruns como o BRFoto influenciou em sua fotografia?
O que é importante destacar de relevante em ambientes assim na sua opinião?

Os dois foram muito importantes na minha fotografia.
No CFAS participei efetivamente, me envolvi de corpo e alma num mundo real, com cursos, palestras, passeios, concursos internos e nas bienais.
O Forum Brfoto foi igualmente importante, mas num mundo virtual e penso que este último (forum) adquiri mais teoria, conhecimento técnico e estético, sempre acompanhado com consulta e leitura de bons livros.
Na verdade, um completa o outro.

8- Se hoje você fosse dar um conselho a um iniciante, qual seria?

Daria um conselho para começar lendo bons livros e fazer um bom curso para iniciante com uma câmera mecânica, depois ele teria maior capacidade de decisão para a escolha da câmera digital/lentes que quisesse.

9- Quais são suas influências na fotografia e por quê?

Aqui, penso que a minha maior influência foi na fotografia PB de Ansel Adams (paisagens). Inicialmente fiquei muito preso à fotografia de natureza, paisagem, arquitetura urbana e longas exposições noturnas pela minha dificuldade de fazer imagens que envolviam pessoas, retratos, etc …
Hoje acho que melhorei bem este lado “momento Bresson”, mas confesso que é um tema que gostaria de me dedicar mais, porque também não sou adepto a fotografia com flash.
Também fã da fotografia do Sebastião Salgado.

9.1- Quais as fotografias destas influências mais te atraem e por quê?

Como minha fotografia está centrada nas minhas viagens, as que mais me atraem são as imagens de natureza, paisagem urbana e fotografia de rua.
Minha esposa Graça Maria tem tb uma importância muito grande nesse trabalho, em virtude de um olhar bem afiado e é a minha principal modelo.

10- Fale-nos um pouco sobre a relação de vocês tendo a fotografia como base, e como ela se insere neste cotidiano familiar/conjugal.

Somos muito companheiros nos nossos passeios e viagens em relação a fotografia. Graça tem um olhar muito interessante e vê motivos que nem passaria pela minha mente.
Levamos somente uma câmera com no máximo 2 lentes: 35 1.4 e uma 17-40 e é mais ou menos como se ela entrasse com o olhar e eu com a técnica, qdo percebe algo que a atrai fotograficamente.

10.1- Gostaria que você nos mostrasse algumas imagens em que a Graça Maria aparece que foram especiais ao seu gosto.

Vou colocar alguns retratos e dois que fiz recentemente em NY … são retratos simples mas que tem uma importância especial, além de ser um exercício muito gratificante.

Graça.

Guarujá.

NY, 2012.

Times Square.

Maresias.

Home da Mama.

No link abaixo podem ser vistas mais imagens da Graça (copie e cole no seu browse):

http://pimentel50.multiply.com/photos/album/13/13

11- Ela também fotografa, Celso?

Sim, fotografa … mas ela não quis fazer o curso, quando estamos juntos se ela tem vontade de fazer alguns cliques, fazemos com a mesma câmera … não estamos saindo mais com uma câmera cada um.

12- Hoje qual é o seu equipamento fotográfico?
Tem algum sonho de consumo?

Hoje meu equipamento é uma canon FF 5DMKIII com lentes 35 1.4 L, 50 1.4 e 17-40 f/4 L, nao tenho muita atraçao por teleobjetivas.
Tenho alguns filmes na geladeira que esporadicamente uso numa canon Elan7NE com a lente 50 1.4.
Apesar de não gostar de usar flash nas minhas imagens e a câmera não ter um flash para preenchimento em 1º plano, comprei um Speedlite 270EX para estas situações, principalmente em algum retrato da minha esposa, contra luz, em que quero profundidade de campo.
Meu sonho de consumo é o equipamento que possuo.

13- Há alguns anos atrás, quando eu comecei a frequentar o BRFoto, uma coisa que eu sempre comentei sobre suas fotos é o extremo capricho em todas elas.
O que você tem a dizer sobre isto?

De fato tenho mesmo esta “preocupação” com o enquadramento, detalhes da perspectiva, objetos que não dizem respeito a composição.
Não sei bem explicar isso, Peri, penso que é de cada um e fico muito feliz que você percebeu.

Para quem como eu se preocupa bastante com a composição rígida das imagens, é evidente e quase impossível dissociar estes dois aspectos na sua fotografia, Celso.

14- De alguma forma a prática na fotografia de filme lhe ajudou, ou
ajuda, agora que você usa bem mais o sistema digital?

Ajudou sim, me deu mais segurança na transição, apesar da base técnica e estética que tenho hoje, se consolidar no sistema.

15- Falando em estética, a gente percebe que a base da fotografia digital é, em termos, a edição de imagens.
Não estou falando de edições bruscas e/ou rebuscadas, mas o acerto de parâmetros como implementação de contraste, saturação, edições localizadas por área, etc, principalmente para quem, como você, fotografa em raw.
Vindo do sistema do filme onde no meio “amador” praticamente inexiste esta edição, como foi para você lidar com este lado da fotografia (fotografar e editar)?

Para a edição dos RAW uso o câmera raw no Photoshop CS5.
Saindo da fotografia de filme e lidando com a edição no começo foi um pouco “difícil” até eu entender e determinar meu workflow (fluxo de trabalho)
A edição está no mesmo prazer de fotografar.
Adquiri logo no início do lançamento o livro Adobe Photoshop do Altair Hoppe, acho que 2004/5 e hoje tenho os quatro volumes, além de outros do Scott Kelby.
Um livro muito interessante e que me ajudou entender o gerenciamento de cores, calibração, perfiz, foi o “Controle da Cor” do Alex Villegas.
Aproveitando a oportunidade, outro livro que recomendaria seria “Camadas” de Matt Kloskowski, por entender que a ferramenta Camadas (níveis, Curvas) é o recurso mais poderoso do photoshop.

15.1- Como são feitas suas edições e qual, ou quais, programa de edição de imagens você usa?
Você possui uma rotina que possa descrever ou cada caso é um caso?

Praticamente procuro fazer as edições com um pouquinho mais de nitidez, contraste e cores, mas muitas das minhas imagens foram feitas seguindo uma regrinha:
Analiso a imagem antes de fazer o clique e determino se as condições são tais que a fotografia vai se beneficiar de um “digital blending”. Se for o caso, braqueteio com intervalos grandes de dois pontos e depois junto no photoshop ou o photomatix. Isto é fundamental nas imagens com muita latitude e é preciso decidir na hora do clique se vale a pena o bracketing.
Esse expediente é muito importante na fotografia de natureza e usando um tripé, também é interessante observar que minhas fotos de natureza/paisagem urbana na maioria das vezes são feitas no nascer e por do sol, quase nunca fotografo esse tema entre 09:00h e 17:00h.

16- Tem preferência específica por algum tema, Celso?

Não tenho preferência por um tema, pra ser sincero, antes, quando era membro do CFAS, eu era muito “cobrado” pelo presidente, vice-presidente, etc, por fotos para as bienais, aquelas mais autorais que tem que arrebatar o coração dos jurados para serem aceitas e premiadas. Hoje estou mais livre e fotografo sem esta preocupação, esse foi o motivo principal do meu afastamento do clube.

Eu nunca imaginaria que em um clube de fotografia existisse este tipo de comportamento onde usuários poderiam ser “pressionados” a produzir obras visando determinados locais …

17- No âmbito dos “mortais”, ou seja, gente como a gente, quem se assemelha ao mesmo tipo/estilo de fotografia que você faz e que possa ser indicado para vermos a produção?

Penso que as minhas fotos se asselha às suas, do Ivan de Almeida, do Bira, vocês até são mais ousados do que eu em tratando -se de fotografia que envolvem pessoas.
Não tenho acompanhado muito ultimamente a postagem de fotos na galeria do Brfoto, então tem nomes que estou deixando de mencionar.

Celso, acho que abordamos assuntos muito interessantes e pertinentes.

Particularmente eu achei tudo de muito bom gosto, além da sua simpatia que, se antes eu apenas pressentia pelo contato na rede, agora eu corroboro depois de um bate-papo tão prazeroso … de minha parte foi uma enorme honra e me sinto gratificado por tudo.

Antes de encerrarmos, eu gostaria de algumas palavras finais suas.
Fique à vontade … se algum assunto não foi abordado e que você queira explanar … se algum ponto ficou incompleto e você gostaria de aprofundar … enfim, o espaço final é todo seu.

Se você quiser pode também pedir à D. Graça que se manifeste, afinal ela foi, além de citada, homenageada.
Se ela quiser que também sinta-se à vontade para umas palavras finais.

Um grande abraço e mais uma vez obrigado por tudo.

Caro Peri,

Para mim também foi um prazer esse bate papo sobre um assunto que mais gostamos de fazer, ou seja, fotografar.
Agradeço por ter me dado esta oportunidade de falar um pouco sobre meu comportamento fotográfico e convido-o para um dia visitar a maravilhosa cidade de Santos com seus belos motivos.
E venha com a esposa conhecer minha casa para um café ou mesmo para um almoço.
A Graça também ficou muito feliz de estar inserida neste contexto e nós agradecemos de coração sua gentileza e amabilidade.

Um Forte abraço nosso,
Celso/Graça.

***

Obrigado por ler.

As imagens contidas nesta entrevista são de propriedade de (c)Celso Pimentel e estão proibidas de serem reproduzidas sem autorização prévia e por escrito do autor.

Outras informações sobre o Celso Pimentel podem ser obtidas nos seguintes endereços:

Flickr.

ipernity (copie e cole no seu browse): http://www.ipernity.com/home/246211

Facebook (copie e cole no seu browse): https://www.facebook.com/celso.pimentel.5

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18 comentários sobre “Em foco: Celso Pimentel.

  1. Peri e Celso, essa conversa-entrevista é tão instigante, criativa e arrebatante que de repente a gente se imagina ver um encadeamento de fotogramas sequenciando-se em imagens de cinema. E que filme maravilhoso!
    Laizer

  2. Peri, ótima esta entrevista aqui no seu blog. É uma grande oportunidade de conhecermos excelentes fotógrafos como o Celso, seu trabalho maravilhoso sendo visto por todos nós. Parabéns.
    Um grande abraço ao Celso e a você.
    Luiz Curcino

    • Exatamente, Curcino.
      Tem muita gente que tem coisas bem legais para compartilhar e a gente nem sabe disto.
      Fazendo estas entrevistas eu consigo mostrar um pouco destas coisas.
      Obrigado pela visita e pelo comentário.

      Um grande abraço.
      Peri.

  3. Minha namorada Gostou muito do seu trabalho em Paraty e quero saber qual seu telefone e email para contato profissional.cordialmente parabens !

  4. Meus bisavós por parte do pai de minha mãe veio de Portugual por volta de 1910 a 1912, seus nomes eram Joaquim Cotovia Pimentel e Maria Pimenta Miranda. Viveram a maior parte da vida em Monte Alto – SP, meu avô veio para o Paraná com mais dois irmão, Seu nome Manoel Cotovia Pimentel era o filho mais velho do casal.

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