Teste.

Image

Há algum tempo penso em escrever sobre uma palavra muito usada na fotografia de forma geral: Teste.

Sempre estou esbarrando com esta palavra porque no meio fotográfico, salvo raras e poucas exceções, o consumismo se dá numa volúpia tamanha – e, conjugado com isto, a aquisição de novas lentes, novas máquinas, mudanças de sistemas e/ou marcas, e os chamados upgrades –  desfavorecendo o uso sistemático das ferramentas de captação.

E aí aparecem os “testes”.

É um tal de fotografar gato dentro de casa, planta pendurada na parede, vidro de perfume, tampa de cerveja … tudo em prol do tal teste que deve avalizar a qualidade do novo equipamento adquirido.

Ou o camarada faz o teste, e mostra pra todo mundo, claro, ou o equipamento não serve … não passou no “controle de qualidade”.

Vale tudo, menos sair ao mundo e fotografar de verdade, gerar um conteúdo aprofundado, em situações variadas de luz (que podem ser controladas ou não), apresentar uma diversidade de material que garanta que o uso do equipamento foi feito a contento.

Esquecem-se que antes de fazer um teste, e aqui adianto que nada há de errado em testar um equipamento novo, é necessário ter um comprometimento com a fotografia de verdade.

Sair ao mundo, coletar material, envolver-se verdadeiramente.

Testes não são necessários quando o fotógrafo está imbuído de algo maior, está acometido de uma paixão por uma atividade como a fotografia, está buscando interação no mundo e com isto crescendo como pessoa, como ser-humano, como tradutor da vida que leva, dos passos que dá.

Testes … quem precisa deles?

***
Obrigado por ver.

Captura da imagem: MINOLTA AF 28mm 1:2.8(22).

Anúncios

14 comentários sobre “Teste.

  1. Peri; Outro dia vi num desses fóruns do facebook um cara fazendo isso. UAU! Ora, lentes boas ou ruins a gente percebe usando, não é preciso teste, e lentes boas não serão necessariamente usadas no modo mais adequado a ela. Você disse bem, é um desperdício de conversa.

  2. Eu vejo dois motivos para os testes (na maioria das vezes): O primeiro é que o cara comprou e deseja uma justificativa para não dizer que o upgrade nem valeu tanto assim. A segunda é para mostrar que tem um equipamento top para colocar na assinatura. 🙂

  3. O teste ad eternum me parece que tem duas funções. Uma como apêndice do consumismo… Outra: a fotografia teste é só para ser observada pelo aspecto técnico, e assim fica livre de ser pensada e criticada no aspecto compositivo. Prefiro fazer minhas fotos meia boca e ter os amigos descendo a lenha na tentativa de contribuir com um certo crescimento fotográfico, do que fazer como o gato que esconde o corpo e deixa o rabo do lado de fora.

    • Quem se envolve e se compromete de verdade não precisa testar por testar elevar isto como prova pública.
      Fotografa de verdade, na vida, no mundo, e isto serve como parâmetro e/ou resultado.

      Abs.

  4. Peri, muito bom o post, parabéns. Eu estou no sentido de reduzir meu equipamento, já vendi quase tudo e estou com apenas 3 lentes (24, 50 e 105) mais a helios 🙂 Como eu costumo falar, não existe lente SLR ruim, faz mais de 100 anos que a qualidade é a mesma. Eu acho que os testes devem ser feitos na rua mesmo, em situações diferentes de luz, acho que se colocarmos uma lente de 50 dollares e outra de igual distancia focal de 2000 dollares num ambiente controlado, teremos resultados muito parecidos. Parabéns mais uma vez.

  5. Um dia você irá me ensinar a conseguir esse azul que eu só consigo com o filme FUJI 200 ou 400, nunca consigo com digital, te admiro muito, essa composição aí está matadora

  6. Tb sou admirador de seus clicks e conhecimento, a imagem do post é linda. Concordo com tudo dito, como muitos me conhecem pelo uso e vendas das manuais, a pergunta que mais ouço é tal lente é boa ? ainda estou a procura de uma resposta correta kkk , pois lente boa é aquela que vc possui E que usa ! , acho que só da pra saber se uma lente “é boa” depois de ficar 1 mês pelo menos com ela na câmera, como se fosse a única, sair só com ela, ver os prós e contras, as limitações, criar a partir do que o conjunto em mãos oferece, como tu disse, fotografar de verdade, e outra deficiência dos fotógrafos de teste digitais é o resultado final , vejo poucos explorarem uma boa edição de raw, uniwb, hdr sem extrapolar e virar “arte moderna” e outros recursos para extrair o máximo do sistema, meter um filtro laranja ou vermelho na lente e fazer um PB descente, aprender sobre luz e sombras, tons médios e muito mais .. em uma de minhas idas pra Chapada Diamantina, com uma dezena de lentes na mochila, lá chegando resolvi ficar quase 20 dias apenas clicando com a Flektogon 35 2.4, melhor decisão que tomei, era tentador usar uma mais wide, ou uma tele ao avistar um pássaro ou animal nativo, mas depois de alguns poucos dias nem pensava mais nisso a câmera se tornou uma extensão do meu olhar e tenho ótimas fotos como resultado, é o que recomendo a todos, como tu disse, fotografar de verdade. Grande abraço amigo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s