Uma ponte atemporal.

Laura.

Laura.

Muito se discute sobre a banalização da fotografia atualmente.

É justo dizer que com a multiplicação dos meios da captação e produção de imagens e também a facilidade que a fotografia digital  promoveu  quando do seu advento, difusão e desenvolvimento, que grande parte da população mundial tornou-se da noite para o dia “fotógrafa”.

E é pensamento comum dos entusiastas que a qualidade fotográfica decaiu de forma concreta e assustadora com a multiplicação de agentes reprodutores de imagens, disponíveis a todo momento e em qualquer lugar que se vá.

Além disto, a fotografia digital tornou-se super volátil a partir do momento que a mídia disponível para vê-la ganhou destaque.
A criação de arquivos digitais, de leitores para a respectiva mídia e a velocidade que a informação se processa no mundo hoje em dia relevou a importância dela quando os observadores não tomam consciência de sua profundidade.

(1)Pai e filha

(2)Alexandre e Alice.

Conversando com um grande amigo, externei o pensamento desta profundidade não ser findável, e ele fez uma descrição muito apropriada sobre a questão.

Com sua permissão, reproduzo abaixo suas palavras:

Pra mim isso será verdade até enquanto a fotografia for transposta para o papel. A partir do momento em que ela for suportada só digitalmente, será extremamente descartada e banalizada.” – Marcos Borges Filho.

Entretanto a fotografia pode inserir-se em muitos nichos e cumprir papéis não apenas e meramente específicos (foto-jornalística, fotografia social, fotografia de estúdio, editorial, etc), ela pode ir além, muito além.

Podemos extrair dela sentimentos de tempos longínquos, emoções compartilhadas por familiares, lembranças de tempos passados que não voltam mais senão na visualização de imagens congeladas e retidas no tempo e no espaço.

Podemos nos deliciar ao ver fotos antigas, perceber os costumes, notar a mudança do tempo, estabelecer e comparar épocas e eras …

Tudo ao mesmo tempo … ou nada em tempo algum.

Quem se envolve e faz da vida através da fotografia um testemunho consegue entender e perceber que nenhuma abundância de possibilidade é capaz de mudar o aspecto atemporal que ela consegue traduzir.

Situar-se hoje ou ontem, ou anteontem, não importa.

Importa a verdade mostrada, a história contada, a vida eternizada.

(3)

Mídia: Filme - 1996/7

Mídia: Filme - 2004.

Pode-se banalizar a fotografia como for, mas o sentimento do registro da passagem do tempo e das situações quando visto em tempos futuros nunca vai mudar.

Eu duvido que alguém fique imune à visualização de imagens feitas 20-30 anos atrás.

Inclusive os protagonistas.

Ainda acho que a fotografia vai cumprir seu papel neste tipo de coisa indefinidamente.

Porque apenas ela é capaz de congelar o tempo.

***

Obrigado por ver.
Clique nas imagens para ampliar.

As imagens aqui postadas foram gentilmente cedidas por seus autores: (1) Alexandre Schuster, (2) Marcos Borges Filho e (3) Ivan de Almeida, e estão protegidas sob as leis de direitos autorais vigentes no país.
A reprodução parcial ou total, de todo o conteúdo ou de parte dele, está terminantemente proibida sem autorização prévia e por escrita dos mesmos.

Páginas dos autores e de pessoas citadas no artigo:

1- Alexandre Schuster: http://www.flickr.com/photos/30067794@N02/

2- Marcos Borges  Filho:http://www.flickr.com/photos/14462113@N05/

3- Ivan de Almeida: http://www.flickr.com/photos/93862093@N00/

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10 comentários sobre “Uma ponte atemporal.

  1. Peri…o que gosto na fotografia, é que ela representa o exato momento. nem um segundo antes..nem um depois. Quando alem disto temos técnica…temos arte!!
    Se não temos técnica..podemos tambem ter arte…às custas de sentimentos!! e no mínimo, temos lembranças.
    Como disse voce colocou antes: “Eu duvido que alguém fique imune à visualização de imagens feitas 20-30 anos atrás.”
    belissimo texto
    abraço
    pmenge

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