Aquela fração de tempo …

Fazia bastante tempo que eu não fotografava com a Jupiter 9, uma lente difícil de domar, mas que mostra resultados esplêndidos quando usada corretamente.
Bem, a ‘dona Madame’ estava no escritório fazendo as coisinhas dela, e eu fui lá olhar a Jupiter em cima do estante …
Espetei na Alpha 700 e fiz um clique, só pra fotometrar e buscar o foco … na verdade não ia nem fotografar …
Mas levei a máquina ao rosto, buscando algo, nem sei o quê … e a ‘dona Madame’ joga o rosto pra trás depois de falar algo que eu nem prestei atenção … foi aquela fração de tempo … microssegundos … plac, o espelho denunciou o clique …

A gente sempre escolhe lentes ‘assim ou assado’ para fazer nossas imagens, estuda luz, mede no fotômetro … se não der certo mexe no ISO, muda abertura …
Mas nada, NADA, se compara a fazer o clique no momento exato.

Quando a gente acerta o prazer supera tudo e as variáveis técnicas somem.
Na minha fotografia isto é muito presente e uma vez com a câmera no rosto minha atenção é 200% no alvo, estou sempre pronto, esperando a oportunidade.

Nunca me arrependi.

Pra quem gosta de dados técnicos, lá vai:

JUPITER-9 2/85, lente russa produzida a partir de 1949, baioneta de rosca m42 .
Velocidade de disparo: 1/50 segundos.
ISO: 3200.
F/stop: 4.0 (fiz 1 disparo e antes do segundo disparo, que é a foto aqui mostrada, mexi no anel preset da lente, abrindo-a manualmente e buscando mais luz, portanto a lente pode estar com abertura levemente maior, algo em torno de 3.2, 3.5 ou algum valor impreciso próximo disto).

Obrigado por l(v)er.

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7 comentários sobre “Aquela fração de tempo …

  1. Eu gosto muito dessa lente. E, para contragosto do exposto (adoro contradizer o exposto) quando dizem que esta lente não é nítida eu posto algumas fotos que já fiz com ela toda aberta – risos.

    A sua foto está muito bacana e também desmente a ausência de nitidez contra qual a mesma é acusada. E, a baixa luminosidade denuncia que usou-a “no limite” da velocidade aceitável para o range (85mm x 1.5) mesmo sendo a A700 uma câmera com estabilização corporal – é complicado segurar 1/50 na munheca em se tratando de pessoas (que se mexem ao respirar, falar), as chances de dar um blur são imensas. Se bem que o peso da A700 e da J9 ajudam na pegada, mas, não são milagreiros.

    A composição me agrada, o diagrama idem. Acredito que o P&B tenha sido colocado na pós (o P&B nativo da A700 tem áreas de sombras mais duras, pretos mais sufúricos), o que não desabona o registro – indiferente, ou pelo contrário:valorizou a expressão da imagem.

    Enfim, e cliques espontâneos são enormemente gratificantes quando saem tão bem tipo este.

    Abraço!

    • Apenas para balizar sua resposta, Alberto, que já foi muito esclarecedora e certeira.
      PB na pós-produção, pois fotografo em raw e em UniWB.
      A Jupiter 9 é sempre inspiradora mesmo, e o resultado dela fala por si só.

      Um grande abraço no amigo e obrigado pela visita.
      Peri.

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