Morro do Itaoca/Morro do Rato.

ItaocaO Morro do Itaoca, ou Morro do Rato, é uma região existente nos arredores de Campos dos Goytacazes-RJ, muito conhecido por amantes de aventuras e de esportes radicias, como Vôo Livre e Downhill.

Devido ao contato direto com a natureza, também é muito procurado por praticantes de caminhadas ecológicas e de Crossfit.

Durante o último fim de semana estive lá para fazer algumas fotos e aproveitar um pouco da manhã ensolarada.

DSC01782 Para os amantes do Dowhill eu acho que o nível técnico da pista que existe lá deve ser um dos maiores do país, coisa para poucos malucos e alguns profissionais.

A dificuldade é tanta que os acidentes são constantes, mês passado uma pessoa morreu após colidir com uma árvore no meio da descida.

Isto não impediu que os praticantes deste esporte continuassem a fazê-lo, e apesar disto os avisos estão espalhados por todo o trajeto, alertanto os que se aventuram nas descidas.

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Paisagens deslumbrantes são uma constante do lugar, como esta acima, de onde pode-se avistar a Lagoa de Cima, uma das lagoas mais famosas da região.

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O acesso é fácil e simples.
Quem vem da cidade de Campos pode acessar o viaduto que existe mais ou menos na altura da Polícia Rodoviária Federal, próximo à Tapera.

De lá a estrada é única, e leva ao pé do Morro.

Chegando lá sobe-se de carro ou à pé.

De carro é relativamente simples, apesar de ser bem íngrime.

DSC01793E à pé é a caminhada, que muitos fazem, sobem até o topo, onde existe a rampa de decolagem de Asa Delta e a área de decolagem de Parapente, onde os riders de Downhill também jogam-se morro abaixo; e depois retornam à base.

Durante o percurso é comum encontrar grupos de caminhada que deslocam-se da cidade para se exercitar.

E também amantes da natureza que vão em busca de ar fresco e paisagens deslumbrantes.

Vale à pena a visita.

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***

Clique nas imagens para ampliar.

Captura das imagens: FLEKTOGON auto 2.4/35 MC CARL ZEISS JENA DDR

Obrigado por (v)ler.

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Em foco: Rafael Pereira Girolineto.

1- Rafael, fale um pouco de você … o que faz, como vive, etc.
Poste uma foto sua se for possível.

Foto Rafael

Meu nome completo é Rafael Pereira Girolineto, sou esse cabra feio aí da foto, tenho 29 anos e sou (pouco) conhecido nos fóruns como rafakareka ou rafapg. Nasci em Ribeirão Preto, em 1985, no interior de São Paulo, sendo o segundo filho de três: eu e minhas duas irmãs, uma mais velha e uma mais nova. Vivi na casa dos meus pais até os 19 anos (fev/2004), quando me mudei pra São Carlos(SP) para fazer faculdade de Engenharia da Computação na qual me graduei no fim de 2008. Já em 2008 me mudei para São Paulo(SP) , Sampa – como eu gosto de dizer -,  onde estou atualmente.
Desde minha chegada em Sampa, trabalho na área de TI, na maior parte desse o tempo em empresas de Telecomunicações. Além da fotografia, gosto bastante de música (toco violão, guitarra e um pouco de contrabaixo, cavaco e viola caipira), gosto de esportes, de viajar e gosto bastante de andar em Sampa.
Recentemente me casei com a Cicilia, que é minha musa inspiradora – risos -, parceira de passeios fotográficos e assunto de muitas das minhas fotografias.
2- Como se deu seu envolvimento com a fotografia?
Apesar de fazerem apenas 5 anos que eu fotografo, de certa forma, a fotografia já esteve presente na minha vida há muito mais tempo. Na minha família materna, os dois irmão da minha mãe: meu tio Zé e minha tia Águeda, têm trabalhos relacionados à fotografia. Meu primo Rodrigo (filho do tio Zé) e a tia Cidinha (esposa do tio Zé) também trabalham com fotografia. Meu tio Zé  tem uma empresa de cobertura de eventos (casamentos, aniversários, batizados…) e minha tia Águeda começou como fotógrafa de teatro e atualmente tem uma produtora de vídeos.
Na minha vida a fotografia começou a fazer parte de verdade em 2009, quando alguns colegas de faculdade da minha república e eu decidimos começar a fazer fotos e vídeos de eventos, especificamente de casamentos. Isso aconteceu porque surgiu a oportunidade de registrar o casamento de um conhecido e meus amigos se organizaram para fotografar e filmar esse evento. Eu entrei “de gaiato” nessa empresa, sem qualquer conhecimento de fotografia, vídeo ou edição de imagens.
Pra fotografar os eventos, decidimos que precisávamos comprar uma “câmera profissional” e fomos até a 7 de abril procurar algo que cumprisse os requisitos num preço que nós , recém formados, pudéssemos pagar. Na época compramos uma Sony Alpha 100 com uma lente 18-70mm do kit e um flash também da Sony – se não me falha a memória. A empresa foi um fracasso, como era de se esperar, mas começou a despertar em mim a vontade de aprender mais sobre fotografia.
Ainda em 2009 eu comprei minha primeira câmera: uma Canon T1i com a lente do kit e “só”. Durante os primeiros meses com a câmera eu ficava surpreso com a “qualidade evidente” das minhas fotos, até que fui começando a ver fotos de outras pessoas com “equipamento profissional” e comecei a perceber que o buraco era mais embaixo. Quando eu entendi que minha fotos eram, na verdade, muito fracas eu comecei a estudar, comprar livros de fotografia e participar de fóruns (comecei no DigiFórum) pra aprender alguma coisa e tentar entender o que fazia uma fotografia ser melhor do que a outra. E até hoje tento me manter neste meio, embora tenha participado com menos atividade de fóruns.

3- Tendo como base e início o ano de 2009 até hoje, você acredita que sua evolução fotográfica aconteceu por quais razões? Houve algum ambiente, ou algo, que você possa apontar como responsável por sua evolução?

Houve sim. Quando eu comprei minha primeira DSLR eu, como recém formado, tinha bem pouca grana e tinha vontade de comprar novas lentes. Estudando eu percebi que, em relação ao equipamento, as lentes eram mais importantes que a câmera, e isso me fez participar de fóruns como leitor para procurar alternativas baratas de lentes.

 Nessa busca eu descobri as lentes manuais, que têm um preço muito chamativo se comparadas às lentes eletrônicas atuais. O fórum que eu participava nesse período tinha uma sala muito ativa de lentes manuais em câmeras digitais – http://www.digiforum.com.br/viewtopic.php?t=49415 -. Comecei a acompanhar as fotos e a conversa entre os membros dessa sala e lá eu aprendi muito mais do que adaptar lentes antigas em câmeras digitais. Acho que essa sala acabou sendo o ambiente que proporcionou o compartilhamento de conhecimento que me ajudou a começar a trilhar uma busca um pouco mais profunda – ou menos rasa – na minha fotografia.

4- Como o Rafael deixou de ser um “apertador de botão” para se transformar em um fotógrafo?

Entrando no mundo de lentes manuais eu consegui o que queria, naquele momento, que era encontrar lentes “baratas”. De quebra eu ganhei dois problemas, ou melhor, duas dificuldades: ajustar o foco e a abertura para cada situação.

Como diz o ditado: “o que não te mata, te torna mais forte”. E foi com essa dificuldade que eu comecei a aprimorar a técnica, percebendo o foco manual “passeando” na cena, o resultado de cada escolha de abertura no DOF e na necessidade de compensar os outros parâmetros quando eu alterava a abertura. Isso me ajudou a começar a entender a importância da composição e, principalmente, me ajudou criar o habito de ter um pequeno planejamento para cada situação fotográfica.
E foi assim que, influenciado pelas conversas que aconteciam no fórum e pelas restrições impostas pelas lentes manuais, gradativamente eu fui diminuindo o fato de ser só um apertador de botão. Minha melhora inicial foi quase só na parte técnica (configurar câmera e a abertura na lente, enquadrar minimamente e focar corretamente), mas posso dizer que foi o ponto do início da transformação de apertador de botão para um fotógrafo.
Como curiosidade, eu as vezes ainda tenho surtos de apertador de botão. Isso geralmente acontece quando sou submetido a uma situação fotográfica que não sei como me comportar. Nessas situações eu fico com receio de perder bons momentos e faço muitas fotos com pouco planejamento.

5- Nesta transição que eu comentei na pergunta anterior, você consegue identificar uma, ou mais, imagens suas onde você se afirma e entende que a partir daquele momento o “buraco diminuiu”?Mostre-nos esta imagem e explique o porquê.

Olhando hoje meu arquivo de imagens antigas, eu consigo encontrar algumas evidências que o “gap” estava diminuindo gradativamente. Algumas fotos boas, muita foto ruim, mas alguns pontos constantes de progresso. Vou colocar algumas aqui:
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Apesar do foco não estar perfeito, é uma imagem que já existe um cuidado com a composição, mesmo que não tenha sido tão calculado como eu gostaria. A fotometria também não está muito boa, mas eu já noto uma preocupação maior com o planejamento da fotografia. Outra coisa que eu gosto nesta foto é a pose capturada, que mostra houve uma preocupação em esperar o momento adequado.
Redhead - Sa’da FCCB 25_01
Esta é uma imagem com um resultado mediano. Mas ela também é interessante por mostrar que existia uma busca pra sair do bê-a-bá… O enquadramento desfavorece a ambientação, mas foi uma escolha consciente para enquadrar a imagem da garota no terço direito. O fato de ser uma escolha, mostra que eu estava planejando também.
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Esta é a foto que mostra as lições aprendidas. Composição decente, planejamento, fotometria e escolha do momento do click.
6- Sua escolha por lentes manuais, como você disse, foi pensando em economia e para transpor um obstáculo que se apresentava inicialmente; no seu caso uma impossibilidade econômica de adquirir
lentes aliada a uma vontade de ter equipamentos que lhe desse mais qualidade.
De alguma forma, olhando para trás hoje, você se arrepende de sua escolha por lentes manuais?
Não, muito pelo contrário. Inclusive eu recomendo, sempre que tenho oportunidade, a todos meus amigos que iniciam na fotografia e querem evoluir / dominar fundamentos básicos da técnica fotográfica.
 
Eu acredito que todas as escolhas que fizemos contribuíram para nos transformam no que somos. É claro que existem escolhas que são mais importantes para alcançar um determinado resultado e outras menos importantes, mas cada pequena escolha faz parte do resultado. Colocando neste panorama minha fotografia, eu considero que as lentes manuais estão entre as três escolhas que mais influenciaram no que eu sou como fotógrafo hoje. As outras são: 1. o ambiente, incluindo as pessoas com quem tive muito contato e que me ensinaram muito, como você Peri, o Ivan de Almeida (apesar do pouco contato, acompanho as fotos, li bastante coisa do blog); 2. O tempo dedicado à fotografia, seja em estudos, seja fotografando, seja vendo boas fotos.
6.1- O que você poderia dizer que sejam pontos positivos e/ou negativos no uso deste tipo de material (DSLR digitais adaptadas com lentes manuais e mecânicas)?7- Você consegue definir um estilo preferido que tenha ou, em outras palavras, você se insere ou tem preferência por algum tipo especial ou específico de fotografia?Se puder exemplificar com fotografias seria bem didático …8- Quem são suas referências Rafael? E por quê?
Vou começar pelos pontos negativos, que são poucos. A velocidade para realizar fotos fica um pouco comprometida por conta do foco manual, principalmente em cenas com muito movimento onde não é possível utilizar aberturas menores. Outro ponto negativo é perder informações do EXIF, como a abertura com que a foto foi realizada, ou a lente exata de determinada foto. Outro ponto, não exatamente negativo, mas que é interessante de citar, é a expressão de outros fotógrafos quando vêem alguém com uma lente manual.
 
Nos pontos positivos, a maioria já foram citados. O primeiro deles é custo muito abaixo do custo das lentes eletrônicas.Um bom exemplo é a Yashica ML 50mm f1.7, que custa entre cem e duzentos reais, mas tem qualidade ótica superior às Canons EF 50mm 1.8, que custam, no mínimo, 300 reais. A construção destas lentes também é superior. Em geral, o projeto delas é otimizado, o que leva a construções com menos elementos e maior qualidade, além de utilizar materiais mais robustos, como metal, no corpo. Gosto também do sistema de anel de abertura na lente. Isso porque eu gosto de ter os controles manuais com fácil acesso e acho o anel de abertura na lente bem ergonômico.
 
E a principal vantagem é obrigar o fotógrafo a pensar antes de executar o click. Essa obrigação ensina muito sobre planejamento, execução e sobre o pensar fotográfico em busca do resultado almejado.
7- Você consegue definir um estilo preferido que tenha ou, em outras palavras, você se insere ou tem preferência por algum tipo especial ou específico de fotografia?Se puder exemplificar com fotografias seria bem didático …
Na verdade eu tenho alguns estilos preferidos, mas não me considero extremamente especializado. Como eu gosto de caminhar pelas ruas, o street acaba sendo uma referência, mas, extrapolando o street, eu acabo fotografando os lugares onde vou, além das ruas.
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Essa primeira imagem mostra um dia onde passei pelo mercado municipal de SP e boa parte das lojas estavam fechando. Não se enquadra exatamente com street, mas é alguma coisa neste estilo.
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No começo do ano viajei pra BH com a Cicilia para ela fazer a prova de um concurso. Nós aproveitamos o restante do fim de semana pra “turistar” um pouco, visitando museus e passeando na cidade. Essa foto foi dentro do Palácio da Liberdade, em uma visita guiada.
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O metrô é um dos meus assuntos prediletos. A junção de pessoas, movimento, ângulos e luzes em várias direções é um ótimo lugar pra fotografar. Essa foto está ligada a um tema que eu tenho tentado explorar, buscando mostrar através das fotos as alegrias e as dificuldades do paulistano. É uma série que eu chamo de “Crônicas de Sampa”.
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E um street mais genuíno. Essa é uma foto de um músico de rua no calçadão do centro de Sampa, próximo ao teatro municipal, também da série “Crônicas de Sampa”.
Outro tema constante na minha fotografia são as pessoas próximas a mim. Fotografia de família, de amigos, enfim, fotografia de pessoas, especialmente das que que gostamos.
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Essa foto eu acho um barato. Meu pai lendo jornal na casa da minha tia Águeda e o Pipoca (cachorro dela) roubando a cena. Nesse tipo de fotografia, estar atento aos detalhes faz muita diferença, pois a cena é usual, mas a atenção adequada na hora do click pode capturar em algo além do comum.
Aceita uma carona?
Minha irmã dentro do carro esperando alguém entrar no carro. Se for reparar, é uma cena muito simples que acontece no dia a dia de todo mundo. A fotografia é fantástica porque ela se encontra nas coisas simples também.
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Essa é uma da Cicilia tomando um café e rindo de alguma brincadeira. Pra mim, que conheço muito bem a Cicilia, essa foto me deixa feliz só de ver, pois transmite a alegria que ela tem, o jeito brincalhão.
8- Quem são suas referências Rafael? E por quê?
Tenho como referência alguns dos grandes fotógrafos de todos os tempos, mas também sou fortemente influenciado pela fotografia de amigos e conhecidos . Dentre os famosos, o que mais me influenciou foi Cartier-Bresson, por ter inventado a fotografia como conhecemos, pelo grande conhecimento de composição (advindos de seus estudos de pintura) que tornava suas fotos muito bem resolvidas, pelo conceito de instante decisivo, enfim, pela sua genialidade.
Tem um texto famoso do Bresson onde a maioria das pessoas se identifica com a seguinte frase: “[fotografar] é colocar na mesma mira a cabeça, o olho e o coração”. É uma ótima frase, consegue explicar muita coisa, mas o texto todo é mais rico do que isso. Eu prefiro a frase imediatamente anterior: “fotografar é num mesmo instante e numa fração de segundo, reconhecer o fato e a organização rigorosa das formas percebidas visualmente, que exprimem e significam este fato.”. Eu gosto mais dessa frase porque ela, dentro da minha percepção, resume o que é a fotografia do Bresson e a fotografia que eu busco. Uma organização das formas visuais que transmitam o sentimento que eu quero passar na fotografia.
Seguindo a lista, gosto também do André Kertész e de suas diferentes fases, de acordo com os lugares onde ele morou, acho que ele tem um senso de humor aguçado e uma capacidade compositiva fantástica. Ele sabe como ninguém misturar elementos vivos com construções, linhas e “paisagens” de concreto. Além de ter uma série de fotografias brincando com distorções que são um barato; me lembram o quadro “The Persistence of Memory” do Dali. No Kertész, a forma de buscar a intersecção entro o uso de linhas e os elementos vivos como algo que influenciou minha fotografia.
Steve McCurry é uma grande influência e referência em utilizar muito bem as cores e criar retratos memoráveis. Em geral podemos cair no conto de que as fotos do Steve McCurry são boas pelos lugares onde ele vai, mas olhando o trabalho dele um pouco mais afundo percebi que existe um grande senso de organização e um trabalho criterioso nas suas fotos que o o tornam um fotógrafo tão bom. Recomendo ver as fotos do último filme de kodachrome (http://stevemccurry.com/galleries/last-roll-kodachrome) pra notar a qualidade do trabalho dele e ter um parâmetro do número de fotos boas em um rolo de filme.
Acho o trabalho de Robert Capa muito forte, principalmente pelas narrativas presentes nas fotografias de guerra e pelo contexto histórico onde estão inseridas. Gosto da série de fotografias no Afeganistão do Didier Lefèvre que retrata uma realidade muito distante de uma maneira bastante humana e intimista. Gosto das fotografias do Elliott Erwitt: algumas destas são muito engraçadas como a série de fotografias de cachorros.
Dos grandes fotógrafos brasileiros, reconheço minha falta de pesquisa. Eu conheço apenas o trabalho do Sebastião Salgado, o que considero um ótimo fotógrafo, mas em algumas situações acho suas fotografias pós processadas demais.
Chegando nas influências mais diretas e pessoais não poderia deixar de citar você, Peridapituba. Considero a sua fotografia uma busca bem próxima da que venho trilhando e vejo em você a figura de um mentor. No meu perfil do flickr está uma frase sua, que eu releio de tempos em tempos pra ajudar a me guiar pela boa fotografia: “A fotografia não pode ser apenas o belo (e é onde muitos erroneamente se calçam), ela tem de ser antes de tudo o verdadeiro, o compromissado com a vida, o respeitoso … pois é disto que estamos tratando, da vida.” Além das diversas dicas, o ensinamento sobre composição, sobre tratamento e outras conversas, a sua postura me ensinou sobre como fotografar com respeito.
Ainda nos fotógrafos que conhecemos – ainda que virtualmente -, gosto muito das fotos do Ivan de Almeida, pois são extremamente bem trabalhadas. Vejo na fotografia dele um controle da fotometria excepcional, com uma capacidade de manter detalhes entre os claros e escuros, sem abrir mão de um belo contraste a la Rembrandt. Além disso o conhecimento técnico e a aplicação da composição formal em suas fotografias é uma aula para qualquer um a quem se propõe a estudá-las.
Gosto também do Ricardson Williams (https://www.flickr.com/photos/ricardsonwilliams/), com um estilo de fotografia street bem bacana e ótimas composições., do Savio Freire / spiderman (http://panoptesfotografiacriativa.com/) com um olhar buscando o incomum. Me agrada o trabalho do Gustavo Minas (https://www.flickr.com/photos/gustavominas/) que tem um street bem gostoso de se ver e o Frank Neu(https://www.flickr.com/photos/soulmining_photography/) com uma pegada bem interessante para retratos sensuais.
Com certeza faltou uma infinidade de fotógrafos famosos ou não aqui (Doisneau, Annie Leibovitz e outros) que me influenciaram, mas em menor escala, mas acho que a lista ficou bem significativa.
9- Uma expressão sua me deixou muito intrigado nas resposta da pergunta 6.1 …

” Outro ponto, não exatamente negativo, mas que é interessante de
citar, é a expressão de outros fotógrafos quando vêem alguém com uma
lente manual. “
De fato o que exatamente você acha que acontece?
Em geral tendemos a desprezar ou ter medo daquilo que não conhecemos. As pessoas com quem conversei que nunca ouviram falar em lentes manuais, em adaptar lentes de outros sistemas e de usar somente foco manual ficam intrigadas em como alguém pode fotografar nesse sistema tão “ultrapassado”.
E quando vêm imagens produzidas com essas lentes em geral se surpreendem. Acho que o desprezo é a reação natural de quem não conhece a capacidade desse tipo de equipamento, a qualidade dos projetos óticos, dos materiais usados. Também é um indício muito forte da inversão de valores em relação a capacidade do fotógrafo versus a qualidade do equipamento.
9.1- Você acredita que existe, na categoria de fotógrafos, uma espécie de preconceito contra pessoas que trilham caminhos diferentes do estabelecido como “normal”?
Acredito sim. Não só em relação à lentes manuais, mas em relação a qualquer coisa fora do padrão. Por exemplo, um enquadramento ousado, um foco não cravado, uma fotometria fora do padrão, um panning borrado – risos, sempre dão muita discussão.
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Essa foto é um exemplo disso, ela foi pensada para não ser um panning, pelo menos não um panning convencional.
Na época eu tirei várias fotos consecutivas, tentando conseguir um efeito como esse, onde os borrões lembrassem pinceladas fortes, alguma coisa meio impressionista. Posteriormente tentei ressaltar isso no tratamento, em conjunto com a saturação das cores fortes noturna – embora até hoje eu não esteja muito satisfeito com esse tratamento. E quando eu postei num fórum ganhei vários “não gostei” ou “panning tem que ser congelado”. Apenas duas ou três pessoas fizeram algum esforço pra tentar entender o sentido do panning borrado ter sido postado no fórum.
Esse preconceito contra o fora do padrão fica muito claro em conversas com quem não conhece o seu modo de fazer as coisas e, geralmente, montam uma crítica rasa sobre a foto. É evidente que a maioria das fotografias tem possibilidade de melhora, mas descrever somente diferentes abordagens técnicas ou soluções no pós processamento sem entender a motivação pra chegar naquela foto é muito pouco, principalmente quando partimos para abordagens diferentes do arroz com feijão.
Acho que isso é um reflexo de muita gente não se aprofunda realmente no que faz, mas gosta de se mostrar como superior / entendido.
Apesar da maioria não fazer por mal, isso acontece muito e na internet sinto que isso é acentuado, pois com a possibilidade de pesquisar antes de dizer qualquer bobagem, todo mundo vira especialista. Mas na hora de fazer, no mundo real com a câmera na mão e o momento na frente, aí a coisa muda de figura.
9.2- Na sua visão o fotógrafo hoje em dia, para ser bem visto, meio que se esconde na questão de aquisição de equipamentos chamados “top”(apenas para citar como exemplo, o caso das lentes L na Canon e as lentes Gold na Nikon) deixando de pensar em questões técnicas em detrimento do uso destes equipamentos ditos “profissionais”? Isto seria um salvo-conduto ou uma fuga da suas incapacidades de produzirem material de qualidade?
Depende muito do meio onde se está inserido. Em alguns grupos da fotografia isso acontece com maior frequência, como na fotografia de eventos. Por exemplo, se eu for fazer um casamento com uma mirorless e uma 35mm vão me chamar de doido, dizer que é impossível. Não estou dizendo que todos os fotógrafos de evento pensam assim, pois conheço vários contra-exemplos, mas é uma linha de pensamento bastante acentuada neste meio.
Na fotografia de rua existe uma tolerância maior, tanto que encontramos bons fotógrafos de street com câmeras compactas de sensores bem menores, e outros que usam até médio formato. A rua aceita qualquer câmera para ser fotografada, ela realmente não se importa com isso.
Outra questão que você levantou é deixar a cargo do equipamento todo o trabalho. Se eu tenho uma lente L e uma câmera top eu me torno, automaticamente, um bom fotógrafo: é a inversão de valores que eu comentei anteriormente.
A galera lê mais o dpreview(http://www.dpreview.com/) do que vê as fotos da magnum (http://www.magnumphotos.com/), estuda mais especificação de equipamento do que composição fotográfica. Nos próprios fóruns existe muito mais tópicos de equipamento do que de desenvolvimento fotográfico: é uma “masturbação tecnológica” interminável.
10- Após estas respostas, que importância fóruns de fotografia, listas de discussões e afins promovem na formação e na manutenção de um indivíduo como um fotógrafo “respeitado”?
Hoje eu vejo os fóruns / listas como uma forma maior de fazer “networking” do que exatamente manter-se como um fotógrafo respeitado. Claro que uma coisa influencia na outra e o fato de ter boas conexões com outros fotógrafos tende a ser um ponto que aumenta o respeito do fotógrafo. Mas acho que eles (os fóruns) são mais importantes na formação do fotógrafo devido ao grande compartilhamento de conhecimento, pela quantidade de tutoriais disponíveis e, se o participante souber filtrar bem, pela qualidade do conhecimento que está disponibilizado gratuitamente.
Quando digo que são pouco importantes na manutenção do individuo como fotógrafo respeitado, talvez esteja exagerando, porque, uma vez que o fotógrafo é reconhecido pelas fotos que ele produz dentro do fórum, a maioria do foristas olharão suas fotos com mais “carinho”, tentando entender melhor os passos que o levaram a chegar naquele resultado. Mas a relevância dessa reputação é limitada aos que atuam dentro dos fóruns, que é um público muito “limitado”, não sendo propagada ao público geral e nem a fotógrafos fora desse universo.
Como dito anteriormente, o universo virtual dos fóruns e listas podem influenciar positivamente e de forma muito impactante na formação do fotógrafo. Praticamente todo meu conhecimento foi obtido graças aos fóruns e mesmo os livros que eu li, em sua maioria, foram resultados de recomendações de amigos ou conhecidos destes meios. Além disso, eu recebi muitas instruções em áreas dos fóruns voltadas às críticas construtivas, como áreas de foto-crítica.
Fugindo um pouco da pergunta, eu acho que esse tipo de área (de foto-crítica), que hoje, infelizmente, ficou um pouco esquecida nos fóruns, é uma grande ferramenta para o crescimento fotográfico. Pra quem não conhece, as galerias de foto-crítica funcionam da seguinte forma: o participante coloca uma foto para ser avaliada pelos demais foristas, os quais numeram os pontos de melhoria, gerando insumos para o crescimento do fotógrafo. Como a participação é aberta, cabe a quem postou filtrar o conteúdo das críticas, digeri-las e se empenhar para produzir melhores fotografias.
Ao meu ver, a maioria não deseja receber de outro forista uma crítica embasada, mas quer receber mais “likes” nas suas fotos e divulgar o seu trabalho, acredito que esse seja um dos motivos das áreas de foto-crítica terem diminuído tanto.

11- Nos dias de hoje o mundo físico se expandiu e se fundiu com o mundo virtual.
Todos conectados … o mundo nas pontas dos dedos …
O que você pensa quando imagina que tem muita gente que conhecerá através da fotografia, muita gente que você se inspira, que se torna um amigo e até mesmo que faz parte de sua vida diária, mesmo que virtualmente, mas que você nunca terá o prazer de encontrar pessoalmente? 

​Na verdade eu prefiro acreditar que vou conhecer pessoalmente esses amigos, mesmo que isso não seja uma garantia. Acredito que sigo assim pra manter uma ilusão de que a amizade não é só virtual, principalmente pelo fato que você mesmo citou, de que nos tornamos muito amigos de algumas pessoas e elas passam a fazer parte da nossa vida, assim como os amigos de trabalho, ou o pessoal da faculdade, mesmo muito longe fisicamente.
​Então eu tendo a acreditar que um dia, por um motivo​​, vou conhecer os amigos de outras bandas, um de cada vez. Assim vou poder conversar com cada um, tomar uma cerveja – ou rum, em outros casos  (risos) – juntos, dar risadas e aprender sobre fotografia pessoalmente, consolidando a amizade virtual.​
12 – Qual o seu equipamento hoje, Rafael?
Meu equipamento digital é bem simples:
Uma Leica M8 surradinha com duas lentes russas, Jupter12 35mm f/2.8 que fica plugada quase todo o tempo e Jupter3 50mm f/1.5 que eu uso pra closes ou situações de baixa luminosidade. Gosto de equipamento pequeno porque chama menos a atenção em fotos na rua e por ser fácil de transportar (apesar da M8 ser mais pesada que muitas SLRs menores).
Anteriormente já tive algumas DSLRs: T1i e 5D clássica, ambas da Canon. Também tive outras rangefinders / mirorless digitais: Nex 3, Fujifilm X100 e Fujifilm X-Pro1, todas antes da leica, o que me torna uma pessoa sem preconceito com marca de câmeras – pra não dizer que sou promíscuo.
A M8 tem uma limitação que é o ISO máximo 2500, o que é compreensível, dado que a câmera é o primeiro modelo leica M digital e começou a ser produzida em 2006. Nessa configuração a imagem fica com muito ruído, o que torna mais adequado tentar manter o ISO em, no máximo, 1250 que é um desafio para determinadas situações e ao mesmo tempo rende uma boa brincadeira.
Também tenho um equipamento de filme, que atualmente é composto de: uma Yashica FX-3 + Yashica ML 50mm f/1.7, uma Pentax SL Black + Yashinon 50mm f/1.7, uma rangefinder Petri Racer 40mm f/2.8 e a Olympus OM1, com uma Zuiko 24mm f/2.8, que é minha câmera de filme mais usada. Aliás, estou diminuindo meu equipamento de filme também pra ter em casa só o que eu uso com alguma frequência.

13- Alguma razão específica em trocar o equipamento anterior pelo atual (Canon por Leica)?

Algumas razões. Enumerememos:
 a. Quando eu tinha equipamento Canon, minha busca era por equipamentos maiores, mais robustos e com mais opções, mas percebi que o volume de equipamento me atrapalhava em transitar com ele e muitas vezes chamava a atenção demais.
Decidi então procurar um equipamento melhor sem perder a qualidade, por isso fui pra Fuji X100. Seguindo na linha de manter um equipamento pequeno com a maior qualidade possível eu cheguei na Leica.
b. Outra razão é a possibilidade de utilizar lentes manuais. Como não existem lentes automáticas para o mount M, as Leicas são projetadas para lidar muito bem com as lentes manuais.
c. E a última razão é a curiosidade de ter um equipamento afamado como a Leica, mesmo que em um modelo muito antigo – que foi o que coube no meu bolso.

14- Qual sua motivação, e anti-motivação, para o uso de filme num momento em que o formato está quase extinto?

Acho que o formato de filme já esteve mais extinto do que atualmente, com grande aumento dos entusiastas, até por conta de um movimento hipster onde a fotografia de filme é vista como cool, vintage.
Mas a minha motivação segue a mesma linha da motivação de utilizar lentes manuais – me explico: Com o filme não existe a possibilidade de ver como a foto saiu e corrigir algum ponto falho, por isso o filme ensina a planejar a fotografia e também revela os nossos erros mais comuns. Ao pegar um filme revelado, vemos quantas fotos o horizonte está torto, quantas fotos ficaram fora de foco, quantas fotos ficaram sub ou super expostas e quantos enquadramentos foram ruins.
Como eu já havia percebido nas lentes manuais uma ferramenta para a melhora da técnica fotográfica, vi no filme uma oportunidade de melhorar outros aspectos da minha fotografia, como composição planejada, fotometria correta, cuidados com o horizonte e paciência para fotografar momentos interessantes e isso foi decisivo para que eu iniciasse com esse tipo de mídia.
Além disso, a estética do filme também me atraiu, principalmente a estética dos P&Bs puxados com uma quantidade considerável de grão, apesar de eu fotografar bastante com filmes coloridos também.
O que me fez diminuir a utilização do filme (se é que eu diminui a utilização de filme) é o trabalho que temos para chegar até a imagem final: queimar o filme inteiro, levar para revelar (quando o filme é P&B e eu não vou revelar, tenho que ir no centro no horário comercial, o que é mais complicado), levar pra digitalizar, tratar e, por fim, publicar as que forem mais interessantes. Várias vezes, por conta da correria do dia a dia, alguns filmes ficam separados em casa, esperando pra serem revelados e digitalizados por mais de um mês.
Isso também tem um aspecto positivo que á a surpresa ao ver fotos que nem me lembrava dentre as digitalizadas, o que trás uma alegria boa e uma vontade de fotografar mais ainda com filme, mas logo passa – risos.
15- Você tem alguma razão neste ponto. Mas eu não tenho o hábito de efetuar correções de horizonte e crops em imagens digitais e nem em imagens analógicas.
Partindo desse pressuposto, o filme torna o desafio maior, pois no digital, após ter feito uma foto com o horizonte torto, ou uma composição mais capenga, e perceber isso pelo LCD, temos a chance de refazer a foto e já na película isso não é possível.
Partindo desse pressuposto, o filme torna o desafio maior, pois no digital, após ter feito uma foto com o horizonte torto, ou uma composição mais capenga, e perceber isso pelo LCD, temos a chance de refazer a foto e já na película isso não é possível.
16- Qual o seu pensamento sobre edição em fotografia?
A edição, na minha fotografia, tem duas vertentes: uma voltada para a estética e técnica e outra mais voltada para a semântica.
No primeiro caso – estético -, os ajustes que faço são pra aumentar a legibilidade da imagem, como correções nas altas ou baixas luzes, ajuste de contraste, conversão pra preto e branco, sem que isso impacte na mensagem que é passada, mas torne a foto mais agradável de se olhar. No segundo caso os ajustes são feitos para enfatizar a mensagem que quero passar com a foto: escolha de um withe balance que realce os tons quentes trazendo uma idéia de aconchego, é um exemplo desse tipo de ajuste.
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Eu sigo um workflow bem simples pra fazer os ajustes no LightRoom, mas eventualmente, ao buscar uma estética diferente, eu fico com a sensação que a edição ficou muito forte, com na imagem acima. Mas, de qualquer maneira, não tenho o costume de fazer ajustes muito invasivos em fotografias, como remoção ou adição de objetos utilizando Photoshop, nem de realizar crops na foto durante o pós processamento.
Isso não quer dizer que eu condene quem faz esse tipo de edição, pelo contrário, eu até gosto de muitas fotos deste tipo, mas desde que o fotógrafo seja claro quando o sentido da foto foi alterado substancialmente na edição.
Eu também acho muito interessante a utilização da edição como forma de potencializar a capacidade criativa do autor, ultrapassando um pouco a barreira fotografia e buscando a exploração artística de uma maneira mais ampla, por exemplo no uso de duplas exposições, filtros, junções de fotografias entre outros, buscando expandir a fotografia como forma arte.
17 – Bem, Rafael, acho que transitamos por temas variados e a entrevista, de minha parte, foi muito enriquecedora.
Gostaria de lhe agradecer pelo tempo dispensado e deixar o espaço livre para que você faça suas considerações finais à respeito de algo que não tenha sido falado e que você ache conveniente acrescentar.
Aproveite a oportunidade e deixe seus contatos para que todos possam te encontrar, seja virtualmente ou fisicamente.Um grande abraço e novamente obrigado.
Peri, foi uma honra ser entrevistado por você que é uma pessoa que admiro muito dentro do mundo fotográfico. Também gostaria de agradecer por ter me escolhido e fico lisonjeado por estar entre as pessoas que você já entrevistou, visto que muitos dos destes me inspiraram e inspiram até hoje.
Além da entrevista, também gostaria de agradecer publicamente pela sua paciência e ajuda durante os vários momentos que você me conduziu para o crescimento fotográfico.
Como eu não tenho um site, vou deixar meus contatos principais, que são:
A todos que estão lendo esta entrevista, fiquem à vontade para me adicionar nestas redes. Novos amigos são sempre bem vindos! 🙂
Também estou com dois projetos fotográficos iniciando:
  • Foto X Poesia: Projeto que estou realizando em conjunto com meu pai (Anselmo Girolineto): A idéia desse projeto é produzir fotografias e poesias em conjunto, tentando retratar muito bem uma narrativa. No futuro pretendo produzir um livro com esse conteúdo, mas, por enquanto, a cada novo par foto-poesia farei um post na minha página do facebook mesmo.
  • SPx2: Blog de street que estou criando com o meu amigo Tim (Tiago Mendonça) com fotos de São Paulo. Estamos na fase de seleção de fotos para colocar o blog no ar.
Todos que me adicionarem nestas redes receberão atualizações sobre os projetos assim que eles estiverem acontecendo.
Mais uma vez, agradeço a oportunidade. Um grande abraço, meu velho.

“Eu não busco, eu aproveito”.

Durante uma postagem de um amigo no facebook (o Ivan de Almeida) eu o respondi com esta frase: “Eu não busco, eu aproveito”.

Ela reflete de maneira simplificada tudo o que eu espero da fotografia e a forma como eu gosto de usá-la, como prova de vida e como vivência pessoal.

Enquanto muitas pessoas saem a lugares inóspitos, ou viajam aos 4 cantos do mundo para fotografar eu apenas identifico o que é interessante ao meu redor, à minha vida particular e, dando especial atenção a estes fatos, narro-a tomando como pano de fundo e como atividade, a fotografia.

Absolutamente não há erro algum em ir fotografar, em sair com este destino/fim, pois eu mesmo faço isto de vez em quando.

Mas a mim me parece mais plausível e prazeroso fotografar o meu entorno … onde estou, onde vou, quem está ao meu lado …

No último sábado minha esposa caiu da escada aqui onde moro e fraturou o pulso, quebrando um dos ossos que sustentam o punho.

Foi mais uma destas oportunidades de fotografar alguns momentos de sua recuperação, de pessoas que vieram visitá-la (como a irmã e a afilhada) e me por à prova, aproveitando situações e esperando os momentos exatos para narrar mais uma vez, à minha maneira, o que me interessa e o que eu gosto.

Nada mais natural, nada mais espontâneo, nada mais prazeroso.

Apenas a vida, e o tempo, se desenrolando.

***

Obrigado por l(v)er.

Captura das imagens: FLEKTOGON auto 2.4/35 MC CARL ZEISS JENA DDR

Presente providencial, alegria estabelecida, amizade fortalecida.

Há alguns dias publiquei o post “Aquela fração de tempo” onde eu falava de uma lente muito boa para retratos, a Jupiter 9, 85/2.

Qual foi minha surpresa quando um amigo, que eu já entrevistei aqui mesmo no Frame, o Rodrigo Fernando Pereira, me enviou uma mensagem privada através do fórum BrFoto me oferecendo uma lente mecânica como presente porque ele não a usava mais e, sabendo do meu uso exclusivo deste tipo de lente, achava que seria melhor aproveitada em minhas mãos.

Tratava-se de uma Takumar 85/1.8, uma lente muito afamada para retratos e que possui a mesma distância focal da Jupiter, 85mm, mas é ligeiramente mais clara.

A lente chegou hoje e fiz alguns retratos enquanto tomava café com minha esposa.

Fantástica, boa descrição, boa de focar, desfoques suaves como manda o figurino para retratos … a imagem mostra o resultado …

Mas fica aqui meu especial agradecimento ao Rodrigo, uma pessoa desprendida de materialismo, com a mente aberta o suficiente para conseguir doar uma lente sem uso a  alguém que a usaria mais.

Um altruísta, na mais completa acepção da palavra, e uma pessoa que admiro cada vez mais.

Não tenho palavras para agradecer.

Obrigado por l(v)er.

ASAHI OPT.CO.. JAPAN Super-Multi-Coated TAKUMAR 1:1.8/85, produzida entre 1972 e 1974.

Velocidade: 1/20 segundos.

ISO 1600.

f/Stop: 2.0 ou 2.5 (a escala de abertura da lente não fornece o valor preciso nestas 2 aberturas, por isto a dúvida).

Aquela fração de tempo …

Fazia bastante tempo que eu não fotografava com a Jupiter 9, uma lente difícil de domar, mas que mostra resultados esplêndidos quando usada corretamente.
Bem, a ‘dona Madame’ estava no escritório fazendo as coisinhas dela, e eu fui lá olhar a Jupiter em cima do estante …
Espetei na Alpha 700 e fiz um clique, só pra fotometrar e buscar o foco … na verdade não ia nem fotografar …
Mas levei a máquina ao rosto, buscando algo, nem sei o quê … e a ‘dona Madame’ joga o rosto pra trás depois de falar algo que eu nem prestei atenção … foi aquela fração de tempo … microssegundos … plac, o espelho denunciou o clique …

A gente sempre escolhe lentes ‘assim ou assado’ para fazer nossas imagens, estuda luz, mede no fotômetro … se não der certo mexe no ISO, muda abertura …
Mas nada, NADA, se compara a fazer o clique no momento exato.

Quando a gente acerta o prazer supera tudo e as variáveis técnicas somem.
Na minha fotografia isto é muito presente e uma vez com a câmera no rosto minha atenção é 200% no alvo, estou sempre pronto, esperando a oportunidade.

Nunca me arrependi.

Pra quem gosta de dados técnicos, lá vai:

JUPITER-9 2/85, lente russa produzida a partir de 1949, baioneta de rosca m42 .
Velocidade de disparo: 1/50 segundos.
ISO: 3200.
F/stop: 4.0 (fiz 1 disparo e antes do segundo disparo, que é a foto aqui mostrada, mexi no anel preset da lente, abrindo-a manualmente e buscando mais luz, portanto a lente pode estar com abertura levemente maior, algo em torno de 3.2, 3.5 ou algum valor impreciso próximo disto).

Obrigado por l(v)er.

Compartilhando e descobrindo.

Rafael

 

Há alguns meses eu venho observando as postagens que um amigo, o Rodrigo F. Pereira, vem fazendo em sua galeria do Flickr:

https://www.flickr.com/photos/119834569@N03/

Especialmente os retratos.

Lívia

Conversando com ele, descobri que ele usa para algumas de suas imagens filtros do programa de edição DxO, algo que ele mesmo relata em seu blog, o Câmara Obscura, no artigo abaixo, intitulado DxO Filmpack:

http://camaraobscura.fot.br/2014/06/29/dxo-filmpack/

A aparência final destas imagens me surpreendeu muito, pelo aspecto que elas demonstram e pelo caráter ‘vintage’ que algumas delas apresentam de acordo com o filtro que se usa.

Gostei tanto que após uma série de fotos no último Sábado eu pensei em escolher algumas imagens e sujeitá-las ao Rodrigo, para que ele fizesse nas minhas fotos a aplicação dos filtros que ele achasse mais conveniente e da forma que ele pudesse conferir às mesmas sua marca pessoal.

Eu poderia fazer, e na verdade seria muito fácil.

Mas desde que eu fiz uma entrevista com ele, passei a observar com outros olhos a sua produção – que, confesso agora – sempre foi uma produção difícil de eu assimilar.

Não por falta de qualidade ou por falta de conteúdo, mas porque eu mesmo não conseguia entrar nela a ponto de entendê-la mais profundamente.

A “culpa” na verdade era minha, única e exclusivamente.

Bem, voltando ao assunto o que eu queria de fato era um compartilhamento da visão do Rodrigo em algumas de minhas fotos e segundo sua própria sensibilidade.

Mandei 2 imagens, que são as que ilustram este artigo, e que já são o resultado final do processamento feito e idealizado pelo Rodrigo.

O resultado a princípio não me convenceu, e eu assim o disse, porque um aspecto presente na fotografia digital, a nitidez, se perdeu nos filtros aplicados por ele.

Não que eu faça questão disto, mas como autor as imagens foram tomadas e as opções de abertura (principalmente) e escolha de lente levaram esta particularidade em conta.

O Rodrigo então me respondeu que a aplicação dos filtros que ele escolheu deixava transparecer, sim, um aspecto menos nítido nas imagens e isto era característica do tratamento em si.

Ok, eu respondi, concordando que a questão nitidez não era a primordial, mas de certa forma era importante.

E resolvi imprimir as imagens, coisa que já iria fazer, pois a série que fiz teria este destino-fim, a impressão para presentear as pessoas envolvidas nas fotos.

E assim fiz, levei as imagens ao lab.

A surpresa foi que as imagens ficaram com uma beleza incrível.

Com aspecto de filme, como deveria ser, e com aparência muito gostosa de sentir, ou seja, transbordaram sentimentos para além da imagem em si.

A conclusão que tiro desta pequena, mas não menos importante, passagem, é que o compartilhamento de informações na fotografia nos trás além de mais conhecimento, resultados que não se pode medir e nem explicar com palavras.

Mas que pode-se sentir, e talvez esta seja a parte mais importante de nossa viagem.

***

Um agradecimento especial ao Rodrigo, pela disponibilidade.

Obrigado por v(l)er.

Revelando.

Imagem

No início desta semana dei uma passada no lab, onde fui pegar uma série de fotos que mandei imprimir.
E tenho algumas constatações …
A primeira diz respeito à qualidade que os laboratórios entregam nas fotos impressas.
Ao menos no que eu uso aqui em Campos me surpreendeu muito positivamente a qualidade da impressão e a paleta de cores que eles tem usado.
Cores vibrantes, papel de qualidade boa (dentro do limite aceitável de papéis comerciais e não “fine”), brilho lindo nas imagens.
Isto põe por terra, na minha opinião, o preconceito que se tem quanto a entregar fotos para serem impressas em lab’s comerciais e não em “estúdios” de fotografia que fazem fine art.
A segunda impressão vem em relação ao material que se usa para captação das imagens.
Nunca estive tão satisfeito em ter feito a escolha de usar apenas lentes mecânicas antigas (com mais de 40-50 anos de fabricação) em função da retenção de detalhes como cor, contraste e micro-contrastes, transição de áreas de informação, capacidade de reprodução de mínimos detalhes e etc.

Imagem


Não posso falar sobre o uso de lentes digitais, pois não as uso, mas a qualidade das lentes que faço questão de usar e permanecer é de espantar.
Imagens captadas em boa luz e com apreço no foco e nas composições são de arrepiar, tamanha a qualidade das impressões.
O único ponto negativo se dá na diagramação das imagens na hora da impressão.
Como elas tem a saída na proporção 2:3 e os laboratórios não importam na proporção exata, se deixarmos eles imprimirem como eles costumam imprimir sempre se cortará partes nas bordas.
Como as minhas composições são afiadas tanto nas bordas, e principalmente nelas, quanto no meio, acontece de cortarem informações que eu quero que apareçam nas impressões.
Aconteceu hoje.
A solução é imprimir a imagem com um mínimo de margem (os lab’s e seus técnicos sabem como fazer isto) e preservar a foto com 100% da informação que se pretende.

Imagem

As fotos que ilustram este artigo estão entre as que mandei imprimir.

***

Obrigado por ver.

Captura das imagens: FLEKTOGON auto MC 2.4/35 CARL ZEISS JENA DDR, ASAHI OPT.CO.. JAPAN Super-Multi-Coated TAKUMAR 1:1.4/50.

2 lentes fantásticas.

Hoje de noite eu tive vontade de fotografar, mas sem querer sair na rua, me aproveitei da minha esposa que fazia alguns trabalhos escolares enquanto eu assistia um filme.
Uma luz legal e um acessório interessante para explorar, os óculos que ela usava.

A princípio a gente não dá muito valor a fotos que faz, mas bastou 2 cliques iniciais e a vontade veio com força.
Estas 2 fotos iniciais não estão mostradas aqui … as fotos mostradas são quase as últimas.
Eu tive algumas preferências antes de começar, enquanto eu observava o que ela fazia e via o filme ao mesmo tempo …

fotografar com uma câmera que há muito não fotografava, uma Sony Alpha 700 …
fotografar com uma Helios 44m6, 58mm em f/2.4 …

O motivo da escolha da câmera foi apurar o foco manual sem um recurso que eu uso na minha outra câmera, uma Sony Alpha 77, que é o focus peak.
E o motivo da lente … bem, foi usar uma Helios em sua abertura quase máxima.

Com o tempo a gente se envolve e explora as possibilidades; e uma delas foi aproveitar a brincadeira do foco específico com esta câmera, que diga-se de passagem é uma das melhores que já usei, e incluir também no método a SMC Takumar 50/1.4, outra titã das lentes manuais.
Esta última aberta em f/2.0.

E assim foi.
Uma série de fotos iniciais reconhecendo a luz e a composição com a Helios, e um término da sessão já azeitada com a Takumar.

Conclusões?
Muitas, mas nada de que já sabia … nada de novo.

A Helios tem um grão mais fino, é mais seca nos contrastes e mais difícil de focar em grande abertura.
A Takumar é mais fácil de focar, satura e contrasta mais.

Mas a principal conclusão é que as duas são ótimas, cada uma com características próprias de suas respectivas óticas e construções.

Foto 1: MC HELIOS-44M-6 58MM/2.

H44M6Foto 2: Super-Multi-Coated TAKUMAR 1:1.4/50.

SMCTAK

Gostei.Não gostei.Abraços.

Não é uma regra, mas amadores-entusiastas da fotografia costumam frequentar ambientes específicos onde seus anseios possam ser preenchidos.
Via de regra procuram desenvolvimento na atividade através do contato com pessoas com o mesmo objetivo e com a mesma devoção à fotografia.
Dentre entes ambientes creio ser o mais pontual os fóruns de fotografias, com um adendo para seções onde comentários em imagens postadas podem ser feitos e a partir disto acontecerem desdobramentos de conversas que elevem o nível das postagens e por conseqüência o nível dos envolvidos nestes ambientes.

Mas acontece que com o convívio freqüente e as amizades que se faz nestes ambientes, estes comentários tendem a ser tendenciosos à medida que o tempo passa.
Como se fazem amizades, as pessoas sempre estão fazendo comentários positivos e elogiosos nas imagens postadas pelos “amigos” e por pessoas que se tem maior afinidade.
Quando a imagem não agrada, os “amigos” não comentam.
E quando comentam desenvolvem desconfiança e até mesmo uma rivalidade fútil e sem sentido.

Tenho percebido há algum tempo um esvaziamento destes ambientes, além de uma queda na qualidade dos comentários e das imagens postadas.
Não creio que isto seja sazonal e nem mudança de plataformas, como a migração para ambientes como o facebook por exemplo.
Na verdade eu vejo que a quantidade de usuários assíduos permanece a mesma, mas a participação destes em forma de comentários diminui drasticamente à medida que o tempo passa.
É uma razão inversa, quanto mais ‘tempo de casa tem’, menos participam.
Postam, mas não discutem mais como no início de suas freqüências.
Os ambientes ficam com aquela impressão de serem “fantasmas”, espaços pouco produtivos e sem interesse maior.
A solução para mudar este quadro de estagnação é continuar participando quando achar necessário, sempre usando a verdade, e sem esquecer que cada comentário deve ser direcionado ao que se mostra e nunca a quem posta.
E assim tentar fazer com que estes ambientes mantenham suas características e seus interesses, sob o risco de caírem no ostracismo a qualquer momento se não mudarem-se certos vícios.

***
Obrigado por ver.
Clique nas imagens para ampliar.
Captura das imagens: MC FLEKTOGON 2.4/35 CARL ZEISS JENA DDR.